Publicado em 09/04/2026 às 18h33.

ALBA concede homenagem póstuma a Clezão por iniciativa de bolsonarista Diego Castro

Filha do empresário baiano, Luíza Cunha recebeu a Comenda Dois de Julho em nome do pai

Redação
Foto: Assessoria

 

O empresário Clériston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, foi homenageado postumamente com a Comenda Dois de Julho, considerada a mais alta honraria da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), na tarde desta quinta-feira (9). A cerimônia ocorreu no plenário Orlando Espínola, na sede do Legislativo baiano, em Salvador. A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Diego Castro (PL).

Bolsonarista, Clezão, que participou dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, morreu na prisão em novembro de 2023. O título é ‘in memoriam’. Baiano de Feira da Mata, Pereira da Cunha foi preso, após ser acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de participar do movimento golpista do 8/1.

Durante a sessão, Diego Castro afirmou que a honraria busca registrar a trajetória de Clezão. “Essa comenda é um reconhecimento que fica na história. Entendemos que ele deve ser lembrado pela sua vida, pela sua família e pelo que representou para muitas pessoas. É também uma forma de marcar esse episódio e garantir que ele não seja esquecido”, declarou.

Na ocasião, o parlamentar baiano disse estar “cumprindo um papel institucional ao trazer esse reconhecimento”. “É uma iniciativa que também se conecta ao debate nacional sobre os desdobramentos do 8 de janeiro. Defendemos que é preciso discutir a anistia como instrumento previsto na Constituição, para encerrar esse ciclo e dar segurança jurídica ao país”, acrescentou.

“Casos como o de Clezão mostram a importância de tratar o tema com responsabilidade, garantindo que situações semelhantes não se repitam”, completou Diego Castro.

O deputado federal Capitão Alden (PL), que participou da solenidade, também discursou durante o evento. “Homenageamos hoje um homem que foi, infelizmente, vítima de um sistema cruel, que desrespeitou seus direitos e garantias fundamentais. Clezão teria todas as condições de responder em liberdade, caso tivesse cometido atos criminosos, o que não foi o caso. As próprias evidências apresentadas demonstram a ausência de crime, nem mesmo tentativa”, afirmou.

“Clezão é um símbolo de resistência e luta, e sua memória não pode ser esquecida. Serve como um alerta, pois a injustiça de hoje pode vitimar qualquer um de nós amanhã. Observamos, atualmente, parlamentares sendo suspensos de seus mandatos, cassados, presos e cerceados em seus direitos de opinião, expressão e crítica, inclusive nas redes sociais. São perseguidos por um sistema que impõe suas regras”, continuou Alden.

Já a ex-secretária de Saúde de Porto Seguro, Raíssa Soares, também presente e pré-candidata à Câmara dos Deputados pelo PL, afirmou que a cerimônia representa um gesto político e social. “A homenagem expressa uma posição clara de reconhecimento. É uma forma de prestar solidariedade à família e de registrar esse momento na história política recente do país”, pontuou.

A comenda foi entregue aos familiares de Clezão. Irmão do homenageado, Edson Rodrigues da Cunha Júnior classificou a homenagem como “uma honra”. “O meu irmão foi cruelmente assassinado praticamente pelas mãos do Estado. Nos sentimos honrados e agradecemos ao deputado Diego Castro pela iniciativa. Nós, da família, agradecemos a ele de coração”, contou.

Outro irmão, Cristiano Pereira da Cunha, também comentou a homenagem. “Poder receber essa homenagem é motivo de orgulho para a gente, mas também de tristeza pelo fato ocorrido. A palavra correta é gratidão pelo deputado poder lembrar e fazer essa homenagem para um patriota, como ele é. Eu e toda a família ficamos agradecidos e com a esperança de que o Brasil ainda tem jeito”, declarou.

Durante a cerimônia, também houve menções à mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Parlamentares e participantes citaram que a proposta vem sendo defendida como forma de encerrar processos judiciais e rever punições aplicadas aos investigados e condenados.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que uma eventual anistia poderia ter beneficiado Clezão ainda em vida, ao encerrar seu processo judicial, que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) no momento de sua morte.

Baiano, Clériston Pereira da Cunha era empresário e atuava como vendedor ambulante. Ele foi preso após os atos de 8 de janeiro de 2023, na capital federal, e morreu em novembro do mesmo ano, aos 51 anos, enquanto estava sob custódia no sistema penitenciário do Distrito Federal. O processo judicial relacionado ao caso ainda estava em andamento à época de sua morte.

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