Publicado em 17/11/2015 às 16h44.

Aleteia: áudios mostram que empresários buscavam aliciar servidores

Grupo se associava para manobrar licitações e subornar servidores públicos, valor estimado do prejuízo causado pelas fraudes é de R$ 4,5 milhões

Julio Reis

Promotores do Ministério Público (MP-BA) e delegados da Polícia Civil divulgaram, na tarde desta terça-feira (17), áudios da operação Aleteia que investiga o envolvimento de jovens empresários baianos num esquema de corrupção de licitações públicas no estado, na capital e outros municípios do estado.

Os principais empresários envolvidos são Rafael Prado Cardoso e os irmãos Bruno Mattos, César Mattos e Ricardo Mattos. De acordo com o Ministério Público, juntos eles se associavam para combinar, a partir de diversas empresas registradas em nome de laranjas, formas de participação em licitações de maneira a manobrar o valor dos certames, e vencidos, sem entregar os produtos requeridos com a qualidade exigida.

Atuando principalmente no fornecimento de material escolar, de limpeza e de escritório, buscavam ainda se infiltrar e subornar funcionários públicos responsáveis pelos contratos licitatórios e cometiam sonegação fiscal.

Desde o fim de semana, dos nove mandados de prisão expedidos, quatro empresários, além da esposa de Rafael, Ariana Nasi, e uma cúmplice ‘laranja’ já estão presos temporariamente. Três investigados continuam foragidos.

Promotores e delegado durante coletiva no MP    (Foto: Julio Reis)

 

”Eles se organizavam para aliciar os servidores com responsabilidades pelos certames. Apesar disso, ainda não temos provas contra os eventuais funcionários públicos envolvidos. Seguimos investigando”, declarou o promotor de Justiça, Luis Alberto Pereira, durante a coletiva de imprensa dada na tarde desta terça-feira (17) na sede do Ministério Público Estadual, em Salvador.

Áudios – Numa das conversas reveladas entre Rafael Prado e Bruno Mattos, Rafael pede a Bruno que opere uma maneira de subornar um funcionário da Secretaria Municipal de Gestão Pública de Salvador (Semge). “Vamos pensar como a gente vai chegar nesses caras”, diz Rafael, que prossegue “Ele (o funcionário) podia colar, e ficar dando uma grana a ele veio. Ganhar vinte conto a mais por mês, ele não quer? Claro que ele quer Bruno. É que a gente não tem a pessoa certa pra botar na frente dele veio. Entendeu?”, diz para Bruno.

Em outra conversa Rafael se queixa também para Bruno de que uma de suas empresas havia sido desqualificada num processo de licitação por conta de uma licença vencida no Imetro de uma fornecedora de materiais que ele utilizava. Rafael diz que a empresa vencedora também utilizou a mesma fornecedora. “Como é que vai declarar ela vencedora meu amigo? Que ela apresentou um documento válido e eu inválido? … Que palhaçada é essa rapaz? Se fosse assim, aí eu digo assim: ‘Olha meu irmão, você quer dinheiro, quer que a gente dê dinheiro a você, não tem problema não. Tenho quinze milhões de contrato aqui agora, peça que você ganha dez por cento. Pronto!”.

Bens bloqueados – De acordo com os promotores, os bens dos acusados foram bloqueados e eles devem responder por crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. Até o momento, eles seguem presos temporariamente, por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.

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