Publicado em 06/04/2026 às 18h21.

Especialistas apontam falência da política de confronto após alta de policiais baleados em 2026

Até 26 de março, 16 agentes foram atingidos, registrando 5 mortos e 11 feridos durante o período

Redação
Foto: Freepik

 

O expressivo aumento no número de agentes de segurança baleados em Salvador e Região Metropolitana em 2026 expõe o esgotamento do atual modelo de segurança pública. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, até 26 de março, 16 agentes foram atingidos (5 mortos e 11 feridos), cifra que já supera a metade de todos os registros de 2025.

Para a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, os dados evidenciam que a lógica de enfrentamento armado nas periferias falha em proteger tanto a população quanto os próprios policiais.

O cofundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro, critica a manutenção de um modelo centrado na repressão que, segundo ele, atinge de forma desproporcional a juventude negra e os profissionais da linha de frente. “A gente precisa entender que essa política de guerra não protege ninguém. Ela expõe tanto os moradores das periferias quanto os próprios agentes de segurança a uma dinâmica permanente de risco e morte”, declarou.

Ribeiro argumenta que os policiais são enviados para operações de alto risco em territórios vulneráveis sem uma estratégia estruturante que priorize a redução da violência.

Para a organização, a atual “guerra às drogas” funciona, na prática, como uma guerra contra pessoas negras e periféricas, revelando-se ineficaz para o controle da criminalidade organizada.

“Defendemos a revisão do atual modelo, com a construção de uma nova política sobre drogas baseada em direitos humanos, redução de danos e enfrentamento das desigualdades raciais”, concluiu Ribeiro, reforçando que o debate sobre segurança deve avançar para além do simples aumento do policiamento.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.