Publicado em 20/11/2015 às 14h00.

Fogo na Chapada: área afetada pode chegar a 30 mil hectares

Focos estão mais controlados, mas seguem preocupando. Coordenação do aparato do estado com brigadistas da região tem ruídos

Julio Reis

Os primeiros focos de incêndios na região da Chapada Diamantina começaram há dois meses. Mas foi apenas nas três últimas semanas que o alastramento do fogo, e consequentemente o esforço em seu combate, atingiu uma situação crítica.

De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, a estimativa é de que a área atingida venha a ser de 30 mil hectares. Um hectare é o tamanho médio de um campo de futebol. Assim, para se ter uma ideia, a área atingida ocuparia o espaço de 30 mil deles.

“Esta é uma estimativa realista, mas não temos ainda dados georreferenciados, apenas em Ibicoara, onde o fogo atingiu 3.760 hectares. Ela é feita com base no tempo de voo nas zonas atingidas e levando em conta a largura do terreno. Prefiro trabalhar com um número para cima, não pretendemos esconder a gravidade” disse Spengler ao bahia.ba nesta sexta-feira (20).

Hoje os focos de incêndio estão mais controlados em Lençóis e pedem mais atenção em áreas do município de Mucugê e no Vale do Capão, distrito de Palmeiras.

Apesar da maior parte da população estar envolvida no enfrentamento do problema, há ocorrências consideradas de fogo criminoso. “Têm aparecido focos em áreas próximas a rodovia 242 (BR) do nada. Sempre ao final da tarde ou na noite. A polícia está investigando os prováveis autores.  Temos que deslocar equipes para debelar estas ocorrências e realmente não é possível entender a razão destas iniciativas”, diz Spengler.

Brigadistas – Para enfrentar a situação tem sido fundamental o combate de aproximadamente 180 brigadistas (de institutos ou voluntários) nas diversas partes da região. Eles têm contado com o apoio da população local e da sociedade civil. Além disso, foi constituída uma articulação para coordenar os esforços deles com o aparato do estado, que enviou bombeiros, automóveis e 11 aeronaves – entre aviões e helicópteros – para a área.

“Temos recebido doações de todos, da comunidade local e de outras partes do país. Uma ajuda muito bem vinda neste instante importante. O governo também tem colaborado no transporte dos brigadistas e ações com aviões. Mas poderia fazer mais no fornecimento de alimentação e de equipamentos de combate e proteção para os brigadistas, especialmente os voluntários, que são maioria” diz Augusto Galinares, diretor da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL).

Guia de trilhas e brigadista voluntário, Jorge Eduardo aponta ainda que nem sempre as operações de aviões tem sido eficientes. “Às vezes a água é despejada em focos de menor potencial de alastramento, em detrimento de outras áreas com maior perigo. Falta um pouco mais de diálogo. Temos conhecimento do local e de suas características”, diz.

“Nós temos nos reunido toda tarde com um núcleo de participantes, incluído brigadistas, para coordenar as ações e a logística de operações. Reconhecemos que há falta de certos equipamentos, mas distribuímos tudo que tínhamos e muita coisa precisa ser reposta, o que nem sempre se dá com celeridade desejada”, admite Spengler.

Prevenção – Os incêndios na Chapada este ano podem deixar ao menos um saldo positivo. As ações de prevenção e de coordenação para combate aos incêndios podem ser aprimoradas, funcionando com mais eficiência e reunindo melhor “as tecnologias” dos parceiros envolvidas. Spengler diz que o governo do estado não está fechado para aperfeiçoamentos no programa Bahia Sem Fogo, que reúne as políticas nesta seara. Por parte da comunidade local a expectativa é equivalente.

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