Publicado em 28/11/2021 às 11h30.

Furto de carne: 92 pessoas foram presas pelo delito desde o início da pandemia

'A fome é real e não existe a opção ‘não vou comer’. A pessoas empobreceram na pandemia', diz Defensora Fabíola Pacheco

Redação
Foto: Arquivo Correio
Foto: Arquivo Correio

 

Desde o início da pandemia, em março de 2020, 92 pessoas foram presas por furto de comida na Bahia. Destas, 10 tiveram prisões mantidas pela justiça e as demais foram liberadas. Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Segurança Alimentar, em 2020, cerca de 19 milhões de brasileiros passaram fome.

Como os dados disponíveis sobre furto de comida em 2021 vão só até outubro, ainda não é possível mensurar se houve aumento ou queda nas prisões por este tipo de delito durante a pandemia no estado. Até então, é possível notar um movimento de constância. O levantamento foi feito pelo jornal Correio com base em autos de flagrantes compilados pela Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA).

De acordo com a publicação, em 2019, antes da chegada do coronavírus, foram 58 pessoas detidas na Bahia; enquanto em 2020 foram 54 e, conforme dados até o mês passado, já são 48 prisões em 2021. Esse tipo de delito costuma aumentar mais no fim e início do ano, o que ainda pode inflar os números de 2021.

“A fome é real e não existe a opção ‘não vou comer’. Imagine uma pessoa que chega num mercado e leva biscoito e manteiga. Aquilo não é para ela vender. É para matar a fome. As pessoas empobreceram na pandemia. Uma parte da sociedade que já era muito pobre ficou mais pobre ainda porque tudo encareceu. Há pessoas nas sinaleiras que estão pedindo! O que elas vão fazer se não conseguirem nada?”, reflete a defensora Fabíola Pacheco.



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