Publicado em 27/08/2021 às 16h31.

IBGE revela que paternidade a partir dos 15 anos é realidade para mais de 67% dos baianos

Para a juventude que faz parte dessa estatística, ser pai cedo traz muitos desafios: 'tive que interromper minha adolescência para assumir responsabilidades de homem'

Leilane Teixeira
Foto: Divulgação arquivo pessoal
Foto: Divulgação arquivo pessoal

 

“Quando eu descobri que iria ser pai, em 2015, confesso que fiquei desnorteado, pois eu era muito novo e não trabalhava ainda. Tive que interromper minha adolescência para assumir responsabilidades de homem”, contou Breno Gomes em conversa com o bahia.ba.

Breno, que atualmente tem 22 anos e é pai do pequeno Gabriel, 6, faz parte dos 67,1% dos homens baianos com idade igual ou maior a 15 anos que já haviam tido pelo menos um filho em 2019, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgados na quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o órgão, o percentual é o 3º mais elevado entre os estados e representava 3,771 milhões de pais na Bahia.

Ainda de acordo com dados revelados pelo IBGE, os homens baianos de 15 anos ou mais de idade que já eram pais em 2019 tinham, em média, 2,1 filhos. O número era o quinto mais alto do país, maior do que o estimado para o Brasil como um todo (1,7 filho). Além disso, os homens que eram pais tinham tido o primeiro filho, em média, com 25,4 anos de idade. A idade estava bem próxima da estimada para o Brasil como um todo (25,8 anos) e era a 8ª mais alta entre os estados.

Desafios

Para quem faz parte dessa estatística, os desafios são inúmeros e, muitas vezes, é necessário o auxílio dos familiares. Para Breno, se não fosse a mãe dele, as coisas seriam ainda mais complexas.

“Eu só tinha 15 anos e ela 14. Não tínhamos estrutura nenhuma, foi algo totalmente fora do planejado. Meu maior apoio foi minha mãe, que me ajudou muito enquanto eu começava a procurar um trabalho e também a família da mãe do meu filho, que também sempre foi muito presente. Isso que nos ajudou a criar nosso filho. Amo muito meu pequeno e faço a minha obrigação como pai, mas se eu pudesse escolher, não teria tido filho tão cedo”, relatou ao bahia.ba

Breno, seu filho e sua mãe - Foto: Reprodução arquivo pessoal
Breno, seu filho e sua mãe – Foto: Reprodução arquivo pessoal

 

De acordo com a pediatra Evelyn Eisenstein, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a adolescência (período entre 13 a 19 anos) é o estágio da vida em que o corpo passa por inúmeras transições, sejam elas hormonais, psicológicas e anatômicas. Segundo a pediatra, os riscos ultrapassam apenas o físico.

“Além dos riscos de desenvolverem doenças,  principalmente nas mulheres, os jovens nessa idade, tanto a mãe como o pai, passam por situações de vulnerabilidade quanto à saúde mental e emocional. Ter acompanhamento médico e suporte familiar é fundamental, pois mexe com a mente de um público que, muitas vezes, ainda não adquiriu maturidade suficiente para cuidar de uma vida”.

Crescimento

Ainda de acordo com os dados do IBGE, a proporção de homens que já tiveram filhos cresce com o aumento da idade, ficando na faixa de 90% entre aqueles de 60 anos ou mais.

No entanto, a Bahia se destacava nacionalmente com um percentual relativamente alto de pais entre os homens de 15 a 29 anos. Nessa faixa etária, em 2019, 25,7% dos homens baianos já haviam tido filho (406 mil em números absolutos), 5º maior percentual do país e acima do nacional (19,0%).

O tema da paternidade foi investigado pela primeira vez na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2019. Anteriormente, esse assunto só havia sido tratado pelo IBGE nos anos 1960.

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