Publicado em 27/01/2026 às 16h34.

Instituto critica alta letalidade em ações policiais na Bahia

Em apenas 24h, 11 mortes foram registradas em todo o estado durante operações policiais

Redação
Foto: Agência Brasil/Arquivo

A Iniciativa Negra, organização que atua em prol da justiça racial e econômica, criticou, nesta terça-feira (27), o alto índice de mortes em ações policiais na Bahia. De acordo com a nota divulgada, os episódios “reforçam que a política de segurança pública baiana segue produzindo um impacto desproporcional sobre corpos negros, sobretudo em territórios periféricos”.

Entre o último domingo (25) e a segunda-feira (26), 11 mortes foram registradas em todo o estado durante ações policiais. As ocorrências, registradas em diferentes regiões do estado, foram oficialmente classificadas como confrontos com a Polícia Militar.

Para a organização, no entanto, a repetição desse tipo de desfecho revela um modelo de atuação que normaliza a morte como resultado da intervenção estatal. De acordo com Dudu Ribeiro, fundador do Instituto e especialista em segurança pública, os números não podem ser tratados como episódios isolados.

“Quando 11 pessoas morrem em ações policiais em apenas 24 horas, não estamos diante de exceções, mas de um padrão estrutural. Na Bahia, esse padrão tem cor, território e classe social. São, em sua maioria, jovens negros das periferias, alvos preferenciais de uma política que ainda confunde segurança com extermínio. Reduzir homicídios é importante, mas não basta quando o próprio Estado segue produzindo mortes”.

Letalidade policial

Apesar de dados oficiais indicarem queda de 13,1% nos homicídios gerais na Bahia em 2025, segundo Dudu, a letalidade decorrente de ações policiais permanece elevada e desconectada de uma política efetiva de preservação da vida.

“É importante que a gente consiga observar que ainda há uma participação importante das forças de segurança na letalidade no Brasil e é necessário investir na redução desses índices. É importante avaliar quais indicadores são os mais relevantes na queda dos homicídios registrados e conseguir incentivar políticas públicas e eficientes que preservem a vida e que garantam direitos”, afirmou Dudu Ribeiro.

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