Publicado em 27/03/2026 às 19h15.

MPT investiga denúncia de fraude em processo eleitoral do Sindimed-BA

Eleições para o quadriênio já sofreram três adiamentos consecutivos por determinação da Justiça do Trabalho

Otávio Queiroz
Foto: Divulgação

 

O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) confirmou, ao bahia.ba, nesta sexta-feira (27) que está apurando denúncias de graves irregularidades no processo eleitoral do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA).

A representação, protocolada pelo Movimento Reconstruir o Sindimed, aponta que a lista de eleitores aptos para o pleito, que ocorre em abril, contém 33 pessoas que não são médicas, incluindo advogados do próprio sindicato, e 35 registros de profissionais já falecidos vinculados a terceiros.

De acordo com o grupo de oposição, a atual diretoria teria desconsiderado normas internas e decisões judiciais na formação da comissão eleitoral. Outro ponto crítico da denúncia é a movimentação atípica na base de dados: em comparação com a lista de dezembro de 2025, houve a retirada de mais de 1.000 nomes de associados antigos e a inclusão de 630 novos registros sem justificativa pública.

Histórico de adiamentos

As eleições para o quadriênio 2026-2030 já sofreram três adiamentos consecutivos por determinação da Justiça do Trabalho. A suspensão mais recente ocorreu em fevereiro,  de acordo com a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB Bahia), motivada pela falta de transparência na condução do processo.

Segundo Tiago Almeida, um dos líderes do movimento de oposição, a instabilidade no sindicato prejudica a luta dos profissionais em um momento de fragilidade do mercado de trabalho.

“Em um cenário de precarização crescente da profissão, o modo como o sindicato conduz suas escolhas afeta diretamente a confiança da base. É natural que, diante da falta de critérios públicos, os médicos questionem o processo”, avalia Almeida.

O que dizem os envolvidos

Procurada pelo bahia.ba, a diretoria do Sindimed-BA não enviou posicionamento sobre as acusações até o fechamento desta nota, mantendo o espaço aberto para esclarecimentos.

Já o MPT confirmou à reportagem que, caso as inconsistências sejam validadas, o MPT abrirá um inquérito com prazo de até 90 dias para conclusão.

Otávio Queiroz
Soteropolitano com 7 anos de experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa. Aqui, eu falo sobre Cidades e Cotidiano.

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