Publicado em 06/11/2015 às 15h30.

Paulo Henrique Amorim: “Desligue a Globo, que o Brasil melhora”

Jornalista carioca recebe título de Cidadão Baiano, defende o governo e dispara críticas contra adversários do PT

Elieser Cesar

 

Amorim, na Assembleia Legislativa: título de cidadão
Amorim, na Assembleia Legislativa: título de cidadão Foto: Divulgação

Cidadão Baiano desde a manhã desta sexta-feira (6), o jornalista carioca Paulo Henrique Amorim tem um receita caseira para quem já está cansado de ouvir falar em crise. “Desligue a Globo, que o Brasil melhora”, sugeriu Amorim, pouco antes de receber a honraria, em sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia, por iniciativa do deputado Zé Neto, do PT. Entre os anos 1980 e 1990, Paulo Henrique Amorim integrou os quadros do jornalismo da Rede Globo, primeiro como repórter do Jornal Nacional e depois como chefe do escritório da emissora em Nova Iorque. Atualmente, apresenta o programa Domingo Espetacular, na rede Record, e assina o site noticioso Conversa Afiada.

Sempre com a língua afiada, o jornalista disse que a crise política é passageira e observou que todas as armadilhas montadas por aqueles que ainda não aceitam o resultado das eleições presidenciais de 2014 estão sendo paulatinamente desmontadas. Para o desmonte, ele disse confiar “na habilidade desse político baiano que se chama Jaques Wagner”, o chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff e principal negociador do Governo com os políticos e os partidos da base aliada. Perguntado por um repórter sobre as chances de o presidente a Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), escapar da cassação do mandato, Paulo Henrique Amorim foi outra vez curto e afiado: “Ele será preso”.

Laços fortes – Nascido no Rio de Janeiro, em 1942, Paulo Henrique Amorim tem laços fortes com a Bahia, pois seus pais são de Baixa Grande, município do semiárido baiano, e a mulher dele, a jornalista Geórgia Pinheiro, é baiana de Salvador. “Por isso, sempre me senti duplamente baiano”, afirmou Amorim. A vocação para jornalismo foi despertada ainda na infância, quando, em 24 de agosto de 1954, dia em que o presidente Getúlio Vargas se matou, com um tiro no coração, o menino Paulo Henrique ouviu a leitura da Carta Testamento pelo Repórter Esso. O garoto foi para as escadarias do Palácio do Catete e acompanhou o velório de Getúlio Vargas com o cordão de isolamento à altura da barriga.

“Já era o embrião da curiosidade do repórter”, definiu anos depois. Paulo Henrique Amorim comemora este ano 50 anos de jornalismo. Sua primeira grande cobertura foi a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, pelo jornal A Noite e, no mesmo ano, a “Cadeia da Legalidade”, movimento deflagrado pelo governador do Rio Grande Sul, Leonel Brizola, para garantir a posse do vice de Jânio, João Goulart, vetada pelas mesmas forças que, três anos mais tarde, dariam o golpe militar.  Em sua longa carreira, Paulo Henrique Amorim passou também pelas revistas Fatos e Fotos, Manchete, Exame, Veja e pela Rede Globo que, segundo ele, não deve merecer a audiência de quem não aguenta mais ouvir falar em crise.

 

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