Publicado em 02/03/2026 às 10h02.

PM aposentado é acusado de chefiar milícia e lavar milhões no Oeste baiano

Relatório do Coaf aponta movimentação financeira atípica ligada à grilagem de terras

Daniel Serrano
Foto: Agência Brasil

 

Uma investigação do Ministério Público contra grupos armados que atuam na região oeste da Bahia identificou um repasse de R$ 15 milhões em dois anos e meio a um policial militar aposentado que está preso. Ele é investigado por suspeita de comandar uma milícia que atuava na grilagem de terras na região. As informações são do jornal Folha de São Paulo. 

De acordo com a publicação, os repasses foram feitos por empresas e pessoas ligadas à agropecuária da região. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que as transferências ocorreram entre agosto de 2021 e abril de 2024. 

O relatório da Coaf identificou uma “movimentação financeira atípica” de Carlos Erlani Gonçalves do Santos, que foi sargento da PM da Bahia. Ele está detido sob acusação de constituição de milícia privada, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o Ministério Público, o dinheiro ia para o agente de segurança aposentado ou para a sua empresa de segurança e, em seguida, era enviado para contas suspeitas de serem de laranjas.

A maior parte das transferências foram feitas por uma empresa de agropecuária que pertence à família dona do Grupo SEB, conglomerado do ramo da educação. Em segundo, aparece a companhia de uma pessoa suspeita de comandar um esquema de grilagem no oeste baiano. Em terceiro, um grupo famoso pelo cultivo de batata inglesa. Procurados, os empresários negam irregularidades.

O oeste da Bahia é um dos principais pólos agropecuários do Brasil. A região também conta com um histórico de conflitos fundiários e palco da Operação Faroeste, que investiga um esquema de venda de sentenças e grilagem de terras envolvendo magistrados, advogados e produtores rurais.

Erlani responde a dois processos. O primeiro trata de ações violentas praticadas pelo grupo liderado pelo policial militar aposentado. O segundo é sobre a circulação de dinheiro de sua empresa de segurança, que, segundo a Promotoria, é “absolutamente incompatível com a sua renda”.

De acordo com duas denúncias, Erlani comandava um grupo responsável por suspeitas de ameaças, agressões e sequestros na região. Ele é acusado de constituição de milícia privada, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além do policial militar aposentado, um suspeito de ser seu ajudante está preso. 

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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