Publicado em 25/02/2026 às 08h34.

Polícia detém 12 suspeitos após turistas gaúchas serem baleadas no extremo sul da Bahia

Vítimas foram atingidas em área de conflito de terra entre indígenas e fazendeiros

Raquel Franco
Fotos: Reprodução/Redes sociais; Divulgação/PF

 

Uma operação conjunta entre as polícias Federal, Militar e Civil resultou na condução de 12 pessoas à delegacia nesta terça-feira (24), suspeitas de envolvimento no ataque a duas turistas gaúchas no município de Prado, extremo sul do estado. O crime ocorreu em uma estrada vicinal dentro do território indígena Comexatibá, região marcada por disputas fundiárias.

As vítimas, de 55 e 57 anos, passavam férias no distrito de Corumbau e seguiam em direção à Barra do Cahy quando o veículo em que estavam foi atingido por disparos ao atravessar um bloqueio. Um homem que também estava no carro não foi ferido. As mulheres foram socorridas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro, onde passaram por cirurgia e estão sem risco de morte.

Durante as diligências na área de mata, as equipes da Força Integrada de Combate a Crimes Envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais localizaram um esconderijo de armas enterrado. Foram apreendidas duas espingardas calibre 12, um rifle calibre 38, dois revólveres calibre 38 e aparelhos celulares.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) determinou o reforço imediato do policiamento na região para conter a escalada de violência.

Área de conflitos

A área onde ocorreu o ataque, a Terra Indígena Comexatibá, teve sua posse permanente declarada ao povo Pataxó pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025. Contudo, o processo aguarda a homologação final e a demarcação física pela Funai.

Em nota, o Coletivo de Lideranças Indígenas negou a autoria dos disparos, atribuindo a violência a “grupos armados organizados por interesses privados” que visam criminalizar o movimento de retomada. Já a Funai informou que acompanha o caso com preocupação e articula com órgãos federais a apuração célere dos fatos.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Polícia Federal, que buscam identificar a autoria direta dos disparos e a relação dos detidos com os recentes conflitos na localidade.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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