Publicado em 11/09/2019 às 11h46.

Sindicato diz que decisão da Petrobras de sair do estado é ‘inteiramente política’

"É um prejuízo incalculável para a Bahia. Teremos milhares de desempregados", disse presidente do Sindipetro

Matheus Morais
Foto: Carol Garcia / GOVBA
Foto: Carol Garcia / GOVBA

 

Após a decisão da Petrobras de desocupar o Edifício Torre Pituba até o final do ano e encerrar suas atividades na Bahia, o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro) estima a demissão de 2,5 mil funcionários terceirizados e o remanejamento de 1,5 mil trabalhadores concursados para outros estados.

A previsão do Sindipetro é que, caso a decisão seja mesmo confirmada, a transferência interna dos funcionários comece no mês de novembro, com continuidade em dezembro, e término em janeiro de 2020.

O presidente do Sindipetro, Radiovaldo Costa, disse ao bahia.ba que a medida não tem caráter econômico, técnico, financeiro ou logístico, mas “inteiramente político”.

“O prédio dá todo suporte operacional e logístico. O que a Petrobras está fazendo é tirar o suporte da Bahia, levando para os outros estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. A intenção da Petrobras é sair completamente do Nordeste, com ênfase na Bahia”, ressaltou.

“É um prejuízo incalculável para a Bahia. Teremos milhares de desempregados e será também um baque para a economia do estado. Várias fábricas serão fechadas. Agora, estamos nos mobilizando para tentar evitar o fim das atividades da Petrobras. Estamos falando com o governo, com os políticos, deputados, senadores. Não podemos ficar parados”, destacou.

Segundo ele, a Bahia é o estado onde a Petrobras tem mais atividades econômicas no Nordeste. “Aqui as atividades são mais diversificadas”, disse.

“Na Bahia a Petrobras tem a RLAM (refino), Transpetro (logística) Fafen (fertilizantes, ureia e amônia) PBIO (Biodiesel), Termoelétricas (energia), Campos Terrestres (produção de petróleo e gás) e EDIBA (prédio administrativo)”, enumerou.

Frente parlamentar na Alba 

Além de uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para discutir os impactos que serão causados ao estado com o encerramento das atividades da Petrobras, os deputados estaduais vão criar uma frente parlamentar em defesa do funcionamento da estatal na Bahia.

A audiência pública acontecerá no dia 23 de setembro, às 9h, no auditório Jorge Calmon, na Alba, e contará com a presença de deputados estaduais, federais e trabalhadores da estatal.

Rui pede esclarecimentos

No programa “Papo Correria”, que apresenta em suas redes sociais, o governador  Rui Costa (PT), pediu um posicionamento oficial sobre a desocupação da Petrobras no prédio Torre Pituba. “Se quer comunicou à sociedade o que pretende fazer”, disse.

“Infelizmente, o nosso país passa por um momento difícil. Resolveram criar mais dificuldade pro povo brasileiro do que já vinha passando. As ferramentas que poderiam gerar emprego e renda pra população estão fechando, privatizando. Infelizmente, a gente não vê luz no fim do túnel”, ressaltou o petista.

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