Publicado em 30/11/2015 às 09h22.

Sistema de transporte urbano de Alagoinhas pede socorro

A representação sindical dos rodoviários decidiu parar as atividades dos trabalhadores

Maurílio Fontes / Alagoinhas Hoje
Trabalhadores da empresa Xavier pararam (FOTO XAVIER)
Trabalhadores da empresa Xavier pararam (FOTO XAVIER)

Segunda-feira tensa em Alagoinhas. Os ônibus da empresa Xavier Transportes Urbanos, que na última sexta-feira teve sua concessão de funcionamento cassada pelo poder público, estão estacionados nas proximidades da Prefeitura de Alagoinhas para protestar contra a medida, considerada arbitrária.

Sem licitação nos últimos 50 anos, o sistema de transporte urbano de Alagoinhas funciona precariamente. O que sempre foi um trunfo para os empresários locais, temerosos de ingresso de empresas maiores, a falta de licitação se transformou em armadilha porque proporciona maior margem de manobra ao Executivo.

Atuando há 49 anos no segmento de transporte urbano de Alagoinhas, Juracy Xavier, proprietário da empresa que deixa o sistema, afirmou ter apresentado propostas e cronogramas para regularizar a situação dos trabalhadores e a vistoria dos veículos junto à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).

A Xavier há muito tempo não vinha depositando os valores relativos ao FGTS. A representação sindical dos rodoviários decidiu então parar as atividades dos trabalhadores, alegando descumprimento de lei federal e de cláusulas do acordo coletivo.

Os usuários também estavam insatisfeitos com o estado de conservação dos ônibus e o constante descumprimento dos horários. Juracy, entretanto, indica outras motivações para a greve. “O sindicato, em acordo com a Prefeitura de Alagoinhas e a Lis Transportes, empresa que está assumindo as linhas que eram da Xavier, agiu no sentido de me sufocar e criar as condições artificiais do estado de emergência, decretado na última sexta-feira”, disse o empresário alagoinhense.

Ele admitiu os débitos com o FGTS, mas informou que os salários dos rodoviários estão em dia.

Lis – O ingresso da Lis no sistema de transporte urbano de Alagoinhas, sem licitação ou critérios objetivos de escolha, causou estranheza entre os empresários de ônibus locais e em alguns segmentos da sociedade alagoinhense, por conta do tempo de atuação de Juracy Xavier no segmento e das alternativas apresentadas para a resolução dos problemas em reuniões com a SMTT e sindicalistas.

O faturamento mensal da empresa é estimado em R$ 600 mil, o que torna suas linhas, que cobrem dois bairros populosos de Alagoinhas (Barreiro e Santa Terezinha) muito atrativas, em trajetos direcionados para a rodoviária.

A Prefeitura de Alagoinhas ainda não publicou decreto de concessão de linhas à Lis Transportes, mas há 40 dias já havia movimentação da empresa para montar sua estrutura no município: na Baixa da Santinha, bairro periférico da cidade, está em construção a futura garagem da Lis.

Ônibus da Lis estão estacionados em um posto de combustível da BR-101 desde ontem. Outro veículo de treinamento de motoristas começou a trafegar deste terça-feira em Alagoinhas, indicando a garantia da empresa assumir as linhas da antiga permissionária.

O radialista Haroldo Azi confirmou ao site que foi procurado há mais de um mês por representante da Lis para alugar terreno de sua propriedade na Rua do Catu. “Depois da conversa, o representante sumiu e agora fiquei sabendo da construção da garagem na Baixa da Santinha”, disse Azi.

Prefeitura – João Rabelo, secretário de Governo da Prefeitura de Alagoinhas, informou que na manhã desta segunda-feira (30) representantes da administração se reúnem com o advogado da Xavier, Giorlando Guimarães, para tratar da questão.

Questionado sobre o silêncio do governo no final de semana, Rabelo afirmou que apresentará o posicionamento oficial após a reunião.

Entretanto, fonte do Paço Municipal garantiu que o encontro não será conclusivo e existem claras indicações da concessão das linhas, via decreto, para a Lis.

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