Publicado em 31/03/2016 às 20h40.

26 estados e o DF têm atos pró-Dilma e contra o impeachment

Entre os manifestantes estiveram sindicalistas, filiados a partidos políticos, mas também pessoas que se intitulam ‘apartidárias’ e desvinculadas dos movimentos sociais

Redação
Manifestantes se concentraram na Igreja da Sé, em São Paulo (Foto: Agência Brasil)
Manifestantes se concentraram na Igreja da Sé, em São Paulo, nesta quinta-feira (31) (Foto: Agência Brasil)

 

Manifestações contra o processo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e ‘em defesa da democracia’ ocorreram em centenas de cidades dos 26 estados, além do Distrito Federal (DF). O número total de participantes ainda não foi contabilizado e pode ser incerto, conforme organizadores, uma vez que em alguns estados, como Rio de Janeiro, por exemplo, a Polícia Militar não divulga o quantitativo.

Os atos foram registrados: Acre, Amazonas, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Góias, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima, rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo, Tocantins e no Distrito Federal RS, RJ, RO, SC, SE, SP, TO e no DF.Em São Paulo a manifestação se concentrou na Praça da Sé, um local com  históricode resistência no Brasil, onde, durante o período do regime militar, se reuniram cerca de 300 mil pessoas no dia 25 de janeiro de 1984 num comício pelas eleições diretas, evento que desencadeou movimentos populares por todo o país.

 

Manifestação em Florianópolis, em Santa Catarina (Foto: Gabriel Schlickmann/MAFALDA PRESS
Manifestação em Florianópolis, em Santa Catarina (Foto: Gabriel Schlickmann/MAFALDA PRESS

Entre os manifestantes foi possível avistar a presença de sindicalistas, integrantes de movimentos sociais, membros de partidos políticos da esquerda brasileira, mas também pessoas que se intitulam ‘apartidárias’ e desvinculadas dos movimentos sociais. Há, ainda, quem critique o PT e o atual governo, mas defenda que a presidente permaneça no cargo até o final do mandato, em 2018.  Segundo os participantes,  “a condução do processo de impeachment sem crime de responsabilidade” da presidente se configura como um golpe.

Além de Brasília e  Salvador – onde a PM estimou 12 mil pessoas e os organizadores, 30 mil -, os protestos “contra o golpe” ocorreram nas capitais: Brasília, Cuiabá, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Natal, Rio Branco, Maceió, João Pessoa, Goiânia,  Campo Grande.

Manifestantes caminham em direção ao Campo da Pólvora, em Nazaré (Foto: leitor bahia.ba)
Manifestantes caminham em Salvador, capital da Bahia, em direção ao Campo da Pólvora, no bairro de Nazaré (Foto: leitor bahia.ba)

Em Brasília, ônibus chegaram de diversas cidades do interior para com pessoas para participar do ato, tido como um dos mais importantes em prol do governo petista. Manifestantes de todo o Brasil se concentraram, desde o início da tarde, no Estádio Nacional Mané Garrincha , e caminharam até o Congresso Nacional.

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Foto: Foto: João Godinho/ Estadão Conteúdo)
Manifestação em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais (Foto: Foto: João Godinho/ Estadão Conteúdo)

Chico Buarque –  Na capital fluminense, o cantor e compositor Chico Buarque participou do Ato pela Democracia, no Largo da Carioca, no centro do Rio, e repetiu para a multidão que “não vai ter golpe”. Chico chegou ao palco por volta das 19h30 desta quinta-feira (31), sendo ovacionado por gritos de “Chico, guerreiro do povo brasileiro”.  “Eu vim aqui dar um abraço nas pessoas das mais variadas tribos, das mais variadas convicções políticas. Gente que votou no PT, gente que não gosta do PT, gente que foi do PT, que se desiludiu com o partido, gente que votou na Dilma, mas sobretudo, gente que não pode por em dúvida a integridade da presidente Dilma Rousseff.”

Chico continuou sua fala dizendo que estavam todos unidos na defesa intransigente da democracia. “Eu vejo gente aqui na praça, da minha geração, que viveu o 31 de março de 1964. Mas vejo sobretudo a imensa juventude que não era então nem nascida, mas que conhece a história do Brasil.”

Por fim, o cantor e compositor agradeceu a todos e repetiu que não haverá golpe: “Eu quero aqui agradecer a vocês que me animam a acreditar que não, de novo não, não vai ter golpe”. Em seguida, Chico deixou o palco e o ato, sendo muito festejado pelos presentes.

O cantor e compositor Chico Buarque e o deputado Marcelo Freixo (Psol) , participam de ato em apoio à presidente Dilma Rousseff e contra o seu impeachment, nesta quinta-feira, 31, no Largo da Carioca, Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
O cantor e compositor Chico Buarque e o deputado Marcelo Freixo (Psol) , em ato no Largo da Carioca, na capital do Rio de Janeiro (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)