Publicado em 05/04/2016 às 09h00.

Bahia é o terceiro em casos notificados de H1N1

Metade dos casos de gripe no Brasil já é de H1N1; número de mortos chega a 71

Agência Estado
Foto: Jornal Expresso
Foto: Jornal Expresso

 

O vírus H1N1 já é responsável por metade dos casos de gripe registrados no país, afirmou o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. Do total comprovado para influenza em análises laboratoriais, 50% apresentam a infecção por essa variação do vírus, responsável por uma pandemia em 2009.

Boletim divulgado nesta segunda-feira (4) mostra que o subtipo influenza A já provocou, apenas nos primeiros três meses deste ano, 71 mortes – quase o dobro do que foi registrado no ano de 2015 (36). Os casos também subiram de forma expressiva. Até agora, foram 444 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – o triplo registrado em todo o ano de 2015.

A maior parte das notificações está nos estados do Sudeste. Só em São Paulo, são 372 casos – 84% dos registros do país. Em segundo lugar, está Santa Catarina, com 22 infecções, seguida por Bahia (9) e Paraná (7). Pernambuco, Goiás e Distrito Federal apresentam, cada um, cinco pacientes. Minas Gerais, Ceará, Pará e Rio de Janeiro têm 3 cada. No Rio Grande do Norte e em Mato Grosso, são dois casos. Mato Grosso do Sul relata um, assim como o Espírito Santo.

“Estamos todos muito preocupados”, admitiu Maierovitch à reportagem. Ele observa que o H1N1 é mais agressivo do que os demais subtipos que circulam no país, como o H3N2 e influenza B. Além disso, a alta é registrada em um período em que a população ainda está suscetível. “O aumento de infecções aconteceu de forma antecipada. Mesmo que pessoas já tenham sido imunizadas no ano passado, boa parte do efeito protetor da vacina já passou”, disse.

Além do aumento de pacientes atingidos, a doença se espalha pelo país – 15 estados registram infecções provocadas pelo vírus, dois a mais do que há duas semanas. “O nosso maior temor é que a epidemia, tendo início precoce, atinja um número maior de pessoas, a exemplo do que aconteceu em 2013”, disse Maierovitch. Naquele ano, foram 3.733 registros de H1N1. “Os casos foram registrados a partir de abril. Agora, começaram ainda em março”, afirmou.

Não há ainda uma explicação. Uma das hipóteses para o surto de gripe fora de época é a condição climática. “Alguns estudos mostram associação com o El Niño. Anos com o fenômeno propiciariam a antecipação dos casos de gripe”, declarou o diretor.

Temas: Bahia , Brasil , casos , gripe , H1N1