Publicado em 21/03/2026 às 14h27.

Brasil monitora impacto de conflito no Oriente Médio na distribuição de medicamentos

Principal ponto de atenção reside na dependência da indústria farmacêutica em relação aos derivados de petróleo

Redação
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

O Ministério da Saúde iniciou um monitoramento rigoroso sobre a cadeia global de suprimentos farmacêuticos diante da intensificação da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O ministro Alexandre Padilha manifestou preocupação com os reflexos do conflito durante visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB) neste sábado (21).

Embora tenha garantido que, até o momento, não houve impacto nos custos logísticos do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal permanece em alerta para possíveis interrupções no fornecimento de insumos básicos. “Toda a guerra faz mal à saúde. Ela mata pessoas, mata inocentes, destrói unidades de saúde e ela pode afetar a cadeia de distribuição global”, alertou o ministro.

O principal ponto de atenção reside na dependência da indústria farmacêutica em relação aos derivados de petróleo, cuja cotação atingiu o pico de US$ 120 o barril recentemente. A volatilidade do mercado é agravada pela localização estratégica do Irã, que controla o Estreito de Ormuz, via por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial.

Analistas apontam que a dificuldade de transporte nessa região pode encarecer a produção de matérias-primas essenciais na China e na Índia, os maiores fornecedores globais de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) para o Brasil.

Padilha revelou ter discutido o tema com autoridades chinesas e indianas em viagens recentes, buscando estratégias para mitigar riscos nas rotas comerciais. “A base inicial de muitos medicamentos é de produtos derivados do petróleo. Então, se você tem um aumento do preço do petróleo internacional, se você dificulta a chegada do petróleo nos países que mais fazem essas matérias-primas, como a China e a Índia, a guerra pode afetar isso”, explicou.

O governo brasileiro estuda agora medidas de contingência para garantir que o estoque de medicamentos essenciais não seja comprometido caso o cenário geopolítico se deteriore nos próximos meses.

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