Publicado em 30/11/2016 às 09h40.

Chape: ‘Não é negligência, foi atitude criminosa’, diz especialista em acidente

"A conta do planejamento do voo não bate. O piloto deve ter tentado reduzir a velocidade ao mínimo para minimizar. Infelizmente, não deu", disse

Redação
Foto: Reprodução/AL São Paulo
Foto: Reprodução/AL São Paulo

 

Especialista em acidentes aéreos, o ex-comandante brasileiro Carlos Camacho falou ao programa “Bate Bola” da ESPN, nesta quarta-feira (30), que a falta de combustível foi a causa da queda do avião que levava a Chapecoense à Colômbia e que vitimou 71 pessoas na madrugada desta terça (29). O estudioso acredita ainda que acidente foi um ato criminoso.

“Foi negligência do piloto, pane seca – não existiu pane elétrica e se existiu foi pelo apagamento dos motores depois das voltas em círculo. O avião caiu e não pegou fogo porque não tinha uma gota de combustível dentro”, explicou. Segundo Camacho, a aeronave que levava o time catarinense a Medellín deve ter dado de cinco a oito voltas esperando autorização para pousar, por mais ou menos oito minutos, e o combustível acabou. “A conta do planejamento do voo não bate. O piloto deve ter tentado reduzir a velocidade ao mínimo para minimizar. Infelizmente, não deu. E se realmente isso aconteceu, não é negligência, foi atitude criminosa”, acusou, ao acrescentar que quando o piloto declara pane seca é penalizado e perde a autorização de voar por cinco anos.

A declaração do estado de emergência em uma aeronave da Viva Colômbia, pouco antes da queda do avião da Chapecoense, pode ter contribuído para o acidente. Antes da queda do Avro RJ85, o Airbus declarou emergência em seu voo e solicitou a prioridade para descer no aeroporto da cidade – o que pode ter forçado o avião da equipe brasileira a dar voltas no entorno do terminal à espera de autorização para o pouso.

Segundo ele, a aeronave, apesar de boa, jé é ultrapassada e não foi feita para voar longas distâncias. “O que aconteceu é chamado de economia porca, já que o piloto era proprietário da aeronave também”, disse Camacho sobre o comandante Miguel Quiroca, que também é genro do ex senador boliviano Roger Pinto, exilado no Brasil desde 2013. Ele também morreu na tragédia.

De acordo com o Estado de São Paulo, a distância máxima padrão que pode ser percorrida pelo RJ85 é de 1,6 mil milhas marítimas (equivalente a 2.965 quilômetros). Já a distância direta entre o Aeroporto Internacional Viru-Viru, de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e o Aeroporto Olaya Herrera, em Medellín, na Colômbia, é de 1.605 milhas marítimas, ou 2.975 quilômetros (em linha reta).  “Na melhor das hipóteses, ele iria pousar com as turbinas já apagadas. Talvez ele não quis parar porque seria mais caro para abastecer”, opinou o ex-comandante.

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