Publicado em 27/05/2020 às 09h40.

Desmatamento avança 27% entre 2018 e o primeiro ano do governo Bolsonaro

Parte da devastação de 14.502 hectares do bioma está concentrado na Bahia, em Minas Gerais e no Paraná

Redação
Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais
Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

 

O desmatamento na mata atlântica entre 2018 e 2019 cresceu cerca de 27% em comparação com o período anterior, informa reportagem do jornal Folha de S. Paulo, com base em dados da ONG SOS Mata Atlântica.

Segundo a publicação, o aumento da destruição no bioma que já é o mais devastado no país —com apenas 12% de mata—, que vinha de duas quedas consecutivas, acompanhou a devastação ampla na Amazônia e no cerrado durante o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

A devastação de 14.502 hectares registrado mais uma vez está concentrado na Bahia, em Minas Gerais (nos limites com o cerrado) e no Paraná (em regiões com araucárias), com aumento, respectivamente, de 78%, 47% e 35% na destruição.

Ao mesmo tempo, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo conseguiram atingir o desmatamento zero (abaixo de 3 hectares).

Segundo Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, o discurso do governo Bolsonaro, de que “pode tudo e de que não tem mais lei”, pode estar vinculado ao crescimento no desmate, especialmente ao se levar em conta sua concentração em estados que já conviviam com o problema.

Desde a campanha presidencial, Bolsonaro critica a fiscalização ambiental e fala sobre uma suposta indústria da multa ambiental no Brasil. O presidente, quando ainda era deputado federal, foi multado pelo Ibama por pesca irregular e não pagou a infração —como ocorre com a maior parte das multas ambientais no país. Em julho do ano passado, o Ibama afirmou que a infração de Bolsonaro prescrevera em 2018.

No primeiro ano do governo Bolsonaro, o Brasil teve o menor número de multas ambientais dos últimos 24 anos.