Governo federal define critérios mais rígidos para financiamento de projetos eólicos e solares
Novas regras visam reduzir impactos nas comunidades e ecossistemas próximos às usinas de energia renovável

O Ministério da Fazenda incorporou critérios sociais e ambientais na classificação de empreendimentos eólicos e solares como “sustentáveis”, tornando-os elegíveis para financiamento “verde”. A medida, detalhada no Decreto Nº 12.705 e nos cadernos técnicos setoriais da Taxonomia Sustentável Brasileira, vai além da simples redução de emissões de carbono, exigindo um olhar atento sobre os impactos nas comunidades e ecossistemas.
A Taxonomia, que funciona como um guia de orientação para o mercado financeiro, agora impõe exigências que buscam mitigar o lado sombrio da transição energética. Entre as novas regras publicadas no Diário Oficial esta semana, destacam-se:
– Impacto comunitário: Ações obrigatórias para reduzir os efeitos negativos na saúde das populações vizinhas às usinas eólicas.
– Combate ao desmatamento: Veto à conversão de vegetação natural e prioridade ao uso de solos não produtivos para a instalação de usinas solares fotovoltaicas.
– Direitos tradicionais: Inclusão de salvaguardas mínimas para garantir os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais, como quilombolas, exigindo o consentimento livre, prévio e informado (CLPI), em linha com a Convenção n° 169 da OIT.
A inclusão de cláusulas sociais é, em grande parte, reflexo de uma articulação da sociedade civil. A iniciativa “Nordeste Potência” promoveu uma escuta pública em João Pessoa (PB), onde moradores de áreas afetadas relataram problemas graves, como cláusulas abusivas em contratos de arrendamento de terras e danos à saúde associados à operação de aerogeradores.
Para Cristina Amorim, coordenadora do Nordeste Potência, a mudança é essencial. “A inclusão desses elementos traz luz à importância de olhar a energia eólica e solar para além de seu papel da descarbonização. Sua implantação, quando não é feita de forma responsável, pode causar impactos negativos a pessoas e ao meio ambiente que são insustentáveis”, afirmou.
Exigências
Para serem consideradas sustentáveis e elegíveis para financiamento, as usinas de energia limpa devem seguir diretrizes específicas conforme a Taxonomia Sustentável Brasileira.
Usinas eólicas:
– Minimizar impacto comunitário: Projetar turbinas de forma a minimizar o impacto do ruído e da sombra intermitente nas comunidades vizinhas;
– Monitoramento contínuo: Medir regularmente os níveis de ruído e o efeito de sombreamento provocado pelas turbinas.
Usinas solares:
– Uso do solo responsável: Priorizar a instalação de painéis solares em solos não produtivos e garantir que as áreas de implantação não tenham sido convertidas de vegetação natural;
– Economia de água: Priorizar métodos de limpeza que economizem água, como sistemas de limpeza a seco ou reutilização de água da chuva.
O consultor Rárisson Sampaio, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), explica que a Taxonomia adota duas frentes: as salvaguardas mínimas asseguradas por lei e o princípio do Não Prejudicar Significativamente (NPS), que impede que a atividade atinja negativamente outros objetivos climáticos e socioambientais.
“A expectativa é de que continuemos a aprimorar estes critérios, para que as garantias e direitos de comunidades e territórios sejam devidamente assegurados quando da instalação de atividades e projetos”, disse Sampaio.
O Brasil se torna o segundo país da América do Sul a adotar uma taxonomia que alinha o financiamento climático com a justiça social. O economista Matias Rebelo Cardomingo, coordenador-geral de Análise de Impacto Social e Ambiental do Ministério da Fazenda, ressalta que a implementação da ferramenta “vai orientar as empresas sobre como relatar, verificar e monitorar suas informações de sustentabilidade”.
Mais notícias
-
Brasil12h00 de 24/05/2026
Receita Federal aponta que mais de 30% ainda não declararam o IR 2026
O prazo para entrega termina às 23h59min59s de 29 de maio
-
Brasil11h30 de 24/05/2026
WhatsApp pode cobrar assinatura mensal no Brasil em novo recurso
Entre as novidades oferecidas no pacote estão opções de personalização do aplicativo
-
Brasil10h52 de 24/05/2026
Empresa é condenada a pagar R$ 20 mil por câmeras em vestiário de funcionários
A Justiça também reconheceu a existência de assédio moral, com relatos de cobranças excessivas
-
Brasil09h18 de 24/05/2026
Ypê anuncia investimento de R$ 130 milhões após falhas apontadas pela Anvisa
As fiscalizações mais recentes levaram inclusive à suspensão de fabricação
-
Brasil06h58 de 24/05/2026
Caixa aumenta prêmio estimado da Mega-Sena 30 anos para R$ 320 milhões
O sorteio será realizado neste domingo (24), às 11h
-
Brasil18h33 de 23/05/2026
Homem é hospitalizado após ser atingido por chifrada de touro
Trabalhador rural sofreu um trauma grave em uma das pernas
-
Brasil13h19 de 23/05/2026
Mega 30 anos: Caixa estende prazo de apostas para prêmio histórico de R$ 300 mi que não acumula
Aposta simples, com a marcação de seis números no volante, tem o valor fixado em R$ 6
-
Brasil11h59 de 23/05/2026
Torcedores que viajam para a Copa do Mundo de 2026 devem atualizar vacinação contra o sarampo
Estratégia tem duas frentes: proteger os cidadãos brasileiros em solo estrangeiro e criar uma barreira imunológica para evitar a reintrodução
-
Brasil07h09 de 23/05/2026
Advogado deixa defesa de Daniel Vorcaro após PF rejeitar proposta de delação
Mudança acontece em meio aos desdobramentos do chamado “caso Master”
-
Brasil13h38 de 22/05/2026
Enem 2026: veja datas das inscrições, provas e principais mudanças anunciadas pelo MEC
Exame mantém aplicação em dois domingos e amplia locais de prova em todo o país










