Publicado em 16/11/2015 às 23h50.

Lama de rompimento de barragens em Mariana chega ao ES

Apesar de ações e planejamento preventivo, município de Colatina (ES) não tem abastecimento de água totalmente garantido

Redação

Onze dias depois do rompimento das barragens de minério da Samarco em Mariana, Minas Gerais, a lama de rejeitos chegou ao Espírito Santo. Nesta segunda-feira (16), a água poluída ultrapassou o reservatório da hidrelétrica de Aimorés e se espalhou também pelo reservatório de Baixo Gandu, já em território capixaba.

O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, que se reuniu durante o dia com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, garantiu que o abastecimento de água nos municípios de Baixo Guandu (ES) e de Colatina (ES) não será interrompido. “Não faltará água nessas duas cidades. O que pode haver é uma diminuição da oferta e uma adequação do abastecimento por conta da captação no Rio Doce” afirmou, durante coletiva em Colatina.

Com a chegada da lama na região, o município de Baixo Gandu suspendeu a captação de água do Rio Doce e agora o faz por meio do Rio Gandu. Segundo a prefeitura local o suprimento por meio Rio Gandu já foi iniciado e alternativa irá atender a demanda da cidade. Prevendo a interrupção também em Colatina e Linhares, foi posta em andamento ações que visam o abastecimento por outros meios.

Até o momento quatro locais foram cotados para captar água em Colatina de forma alternativa. O Rio Pancas, que pode auxiliar o abastecimento do lado norte; o Rio São João Grande; o Columbia e as lagoas do Batista e do Limão, com captação de água bruta por meio de caminhões-pipas. Além disso, poços artesianos devem ser perfurados e adutoras construídas, além de doações de água potável e mineral.

Foto aérea tirada na Usina de Aimorés, em Minas Gerais, na divisa com o Espírito Santo, no início da tarde desta segunda (16) (Secom-ES)
Foto aérea tirada no início da tarde desta segunda (16) na região de divisa do Espírito Santos com Minas Gerais (Secom-ES)

O secretário de Desenvolvimento Urbano do Espírito Santo, João Coser, reforçou contudo que as medidas podem não ser suficientes para garantir o abastecimento pleno da cidade de Colatina. “Apesar de todas as ações não temos 100% do abastecimento de Colatina garantido. Por isso, continuamos cobrando empenho da Samarco no que diz respeito à perfuração de poços artesianos e à construção das adutoras”, disse Coser.

Cerca de 50 carros-pipas estão na cidade de Colatina para auxiliar no abastecimento tanto de água bruta (sem tratamento) quanto de água tratada. Esse contingente consegue abastecer a rede com cerca de 16.600 mil m³ de água, o que vai garantir 30% de abastecimento.

Já no município de Linhares, a captação de água é feita no Rio Pequeno. Com o rompimento da barragem em Minas Gerais, a prefeitura da cidade decidiu aumentar a barragem do manancial com o objetivo de impedir que água suja de lama avance sobre o Rio Pequeno.

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