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Publicado em 31/01/2026 às 16h32.

Morre Bárbara Cervenka, artista que atuou na devolução de obras afro-brasileiras ao Muncab

Ministério da Cultura lamenta morte da estadunidense que contribuiu para maior repatriação de acervo da história do Brasil

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Muncab

 

A artista plástica e educadora Bárbara Cervenka faleceu neste sábado (31), em Detroit, nos Estados Unidos. Cervenka teve papel central na maior repatriação de obras de arte afro-brasileiras da história do Brasil, destinadas ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), localizado em Salvador.

Em nota oficial, o Ministério da Cultura (MinC) lamentou a perda, classificando a trajetória da artista como um marco para as artes visuais e para as políticas de valorização da arte afro-diaspórica. De acordo com a pasta, a atuação de Cervenka foi pautada pelo compromisso com a “restituição da memória” e a “circulação ética dos bens culturais”.

Fundadora da organização Con/Vida, ao lado da historiadora Marion Jackson, a pesquisadora estabeleceu pontes culturais entre o Brasil e os Estados Unidos. O principal destaque de sua gestão foi a doação da Coleção Con/Vida ao Muncab. O processo contou com a participação direta do MinC e é considerado um movimento estratégico para o patrimônio cultural nacional.

“O legado de Bárbara Cervenka seguirá vivo nas instituições que ajudou a fortalecer e nas obras que agora integram, de forma permanente, o patrimônio cultural do Brasil”, afirmou o Ministério em trecho da nota de pesar.

Reconhecimento em vida

Bárbara Cervenka enfrentava um tratamento contra o câncer. Segundo as informações divulgadas, ela pôde acompanhar a chegada das obras ao território brasileiro e a integração do acervo à instituição pública baiana antes de falecer.

A repatriação das peças é vista por especialistas e pelo governo federal como uma reafirmação do papel do Estado na preservação de narrativas afro-brasileiras. O Ministério da Cultura prestou solidariedade a familiares e parceiros institucionais da artista.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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