Publicado em 08/04/2026 às 18h40.

Violência contra a mulher: educação de homens pode ser chave para prevenção

Segundo a teoria do Garantismo Penal, de Luigi Ferraioli, endurecer punições não necessariamente diminui os índices

Redação
Foto: Pexels

 

O que pode ser feito na educação dos homens para reduzir os casos de violência contra a mulher no Brasil? Especialistas apontam que medidas preventivas, envolvendo justiça, educação e políticas públicas, podem ser mais eficazes do que apenas aumentar penas. Segundo a teoria do Garantismo Penal, de Luigi Ferraioli, endurecer punições não necessariamente diminui os índices e pode contribuir para o aumento da população carcerária.

Para o advogado Renan Alcantara, mestre em Políticas Sociais e Cidadania e monitor da Clínica de Apoio Contra a Violência à Mulher (Clavim), trabalhar a educação desde a infância é essencial. “Com crianças e adolescentes, o trabalho na educação escolar deve ser relacionado ao tratamento do homem para com a mulher e também de combater o machismo, contribuindo na formação de um cidadão melhor. Na fase adulta, buscar métodos mais efetivos de socialização”, destaca o advogado e autor do livro A Anatomia da Violência, lançado em dezembro de 2025, que investiga a masculinidade tóxica e formas de combater a violência de gênero.

No Brasil, os números mostram a gravidade do problema: em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídio, aumento de 0,7% e 19%, respectivamente, em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025). O levantamento aponta ainda 87.545 casos de estupros, o maior número da história, e revela que 65% das ocorrências de violência contra a mulher acontecem em ambiente familiar.

Na Bahia, a situação também é preocupante. Dados do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-BA) mostram que em 2025 foram registrados 31.302 pedidos de medidas protetivas de urgência, dos quais 30.163 foram deferidos. Nos dois primeiros meses de 2026, 6.024 pedidos já foram atendidos. Para a desembargadora Nágila Maria Sales Brito, presidente da Coordenadoria da Mulher do TJ-BA, “o enfrentamento à violência contra a mulher não depende apenas da atuação da justiça, e investir na educação e na mudança de comportamento é fundamental, especialmente entre os homens, para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária”.

O livro A Anatomia da Violência: O Ciclo Vicioso da Masculinidade Tóxica e o Caminho da Transformação, primeiro escrito por Renan Alcantara, apresenta uma análise detalhada do problema com base em pesquisas acadêmicas e na experiência prática do autor, que atuou em casos de violência doméstica e tentativas de feminicídio através do Clavim, atividade de extensão da UFBA.

Renan Alcantara é advogado e pesquisador, nascido em São Paulo e radicado na Bahia, com mais de 10 anos de experiência no setor jurídico. Formado em Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSal), é mestre em Políticas Sociais e Cidadania, especialista em Ciências Criminais e em Direito Constitucional Aplicado, e pós-graduando em Medicina Legal e Perícias Criminais. Atua ainda na Defensoria do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-BA e é membro da Comissão Especial de Ciências Criminais.

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