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Publicado em 17/02/2026 às 20h06.

‘Agora posso começar o ano’, diz Luedji Luna após último show no Carnaval de Salvador

Cantora celebrou a diversidade da festa momesca e detalhou processo criativo das suas obras

Raquel Franco / João Lucas Dantas
Foto: Ítalo Ribeiro / bahia.ba

 

A cantora e compositora Luedji Luna encerrou sua participação no Carnaval de Salvador 2026 com uma apresentação marcante no Largo do Pelourinho, nesta terça-feira (17). Em entrevista a jornalistas, a artista destacou a importância de ocupar o Centro Histórico e analisou as transformações da folia baiana, que, segundo ela, vive um momento de maior pluralidade. 

“O Carnaval de Salvador mudou muito. Já tem uns anos que vem passando por esse movimento de diversidade, de democratizar o som e os estilos. Fico muito feliz em trazer a minha música para alimentar ainda mais essa diversidade”, afirmou.

Luedji enfatizou que sua proposta para a festa é manter a essência de sua obra, sem necessariamente se moldar ao repertório tradicional carnavalesco. “Eu vim despreocupada em fazer um show para Carnaval. Vim com a minha música porque é uma plataforma para que pessoas que não me conhecem conheçam o meu trabalho”, disse. 

Para a artista, a performance na capital baiana funciona como um rito de passagem: “Acho que agora eu posso começar o ano. Depois que eu peguei esse axé, estou bastante energizada e recebi bastante amor do meu povo para poder conseguir continuar a correr o mundo”, afirmou.

“A compositora nasceu primeiro”

Questionada pela reportagem do bahia.ba sobre como traduz sua carga emocional em música, Luedji revelou que a escrita é seu alicerce fundamental, precedendo inclusive sua trajetória nos palcos.

“Para mim é fácil porque a compositora nasceu primeiro. Eu escrevo desde muito nova, desde adolescente. A cantora, a artista, surgiu depois. Mas a escrita é um lugar de intimidade, é um lugar de segurança para mim, e portanto é um lugar fácil de estar, de habitar e de dividir com as pessoas”, explicou.

“Axé por osmose”

Sobre a influência do Axé Music em sua sonoridade vencedora do Grammy Latino, a cantora descreveu o gênero como um elemento onipresente na formação de quem nasce na Bahia. 

“Acho que axé é algo que entra por osmose na nossa educação musical. Não foi fruto de uma pesquisa, é a música da minha cidade, das ruas. Atravessa indiretamente a música que qualquer baiano faça”, avaliou.

Conexão com Cabo Verde

A artista também comentou sobre sua relação com o continente africano, especialmente com Cabo Verde, onde já se apresentou e mantém parcerias.

 “Amo Cabo Verde. O povo parece muito com a gente culturalmente, fisicamente. Parece que são todos primos e primas nossos aqui da Bahia”, disse Luedji. A cantora também revelou que novos projetos e colaborações com artistas do país africano podem acontecer em breve.

Carnaval Largo do Pelourinho

O show de Luedji Luna integrou a programação de encerramento do ‘Carnaval Largo do Pelourinho’, que nesta terça-feira contou também com apresentações de Criolo, MV Bill e Vandal. O evento é uma realização do Governo da Bahia e do Ministério da Cultura, com patrocínio da CAIXA. Estima-se que mais de 50 mil pessoas passaram pelo circuito durante os cinco dias de festa.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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