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Publicado em 14/02/2026 às 19h55.

Crocodilo vai recorrer após TJ-BA manter ordem de blocos no Barra-Ondina

A diretoria do bloco informou que aguarda a análise do mérito do recurso pelo Tribunal

André Souza
Foto: Divulgação/Bloco Crocodilo

 

A direção do Bloco Crocodilo informou neste sábado (14) que vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça da Bahia que suspendeu a liminar favorável ao bloco e restabeleceu a ordem original de desfiles no circuito Dodô (Barra-Ondina), em Salvador.

O Crocodilo acionou a Justiça alegando ter sido o primeiro grande bloco a migrar do Campo Grande para a Barra, em 1996. Na quinta-feira (12), uma liminar determinou que a agremiação abrisse os desfiles a partir das 15h30, mas a decisão foi revertida após recurso apresentado por Olodum, Camaleão, liderado por Bell Marques, e Coruja, comandado por Ivete Sangalo.

Segundo a empresária Malu Verçosa Mercury, responsável pela gestão do bloco liderado por Daniela Mercury, o histórico da ordem de saída demonstra um “rebaixamento progressivo e contínuo” ao longo de quase 30 anos, em desacordo com o critério de antiguidade previsto no regulamento.

Ela afirma que, em 1996, “o primeiro desfile do Bloco Crocodilo, em 1996, domingo, segunda e terça na Barra foi seguido por blocos alternativos que não desfilavam esses dias nesse circuito”. De acordo com Malu, “com o anúncio de que Daniela Mercury passaria a desfilar com o Crocodilo na Barra, os blocos Me Leva, Brother, Fecundanca e Adrenalina seguiram Daniela se encaixando antes dela por determinação da gestão municipal da época”.

A empresária sustenta ainda que “o carnaval na Barra não existia domingo, segunda e terça, reitero aqui” e que, “com o passar dos anos, esses blocos deixaram de existir, mas o Bloco Crocodilo não foi reposicionado para o primeiro lugar, sendo sempre preterido e prejudicado nos desfiles”.

Antes de recorrer à Justiça, segundo ela, o bloco buscou solução administrativa. “Em 2026, antes do Carnaval, o Bloco Crocodilo enviou um ofício para o COMCAR e para Saltur e não obteve resposta, mesmo com tentativa de contatos telefônicos”, afirmou. Após a publicação oficial da ordem dos desfiles, “a diretoria do bloco fez diversas tentativas, sem sucesso, de contato telefônico com o COMCAR e com a Saltur”, o que tornou “necessário o último recurso disponível: a Justiça”.

Malu diz que o recurso também pretende provocar debate mais amplo sobre o Carnaval. Para ela, “o objetivo principal do bloco Crocodilo, ao entrar na justiça, foi chamar a atenção para o apagamento histórico que vem acontecendo com a entidade, com as mulheres e com os pretos da cidade de Salvador”.

Ela cita ainda que “a mesma coisa aconteceu com o afro Filhos de Gandhy que perdeu o lugar na fila” e critica propostas discutidas neste ano. Segundo a empresária, “as entidades de blocos tentaram junto a SSP a criação de portais de acesso aos circuitos exclusivos para quem estivesse de abadá”, medida que o Crocodilo considerou “segregador e elitista”.

Na avaliação dela, “o princípio de exclusão é o mesmo que mulheres e pretos sofrem no carnaval de Salvador”. Malu acrescenta que, embora haja “mulheres poderosas em destaque, como Daniela, Ivete, Margareth”, não há circuito que homenageie uma mulher. “Só os homens têm destaque e reconhecimento. É preciso mudar e essa discussão chama a atenção para isso”, afirmou, acrescentando que espera “provocar reflexões nas autoridades, em quem organiza o carnaval e também com o grande público”.

A diretoria do bloco informou que aguarda a análise do mérito do recurso pelo Tribunal.

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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