Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 12/02/2026 às 22h49.
Daniela Mercury nega que pagodão ofusque o samba: ‘Tudo vai se transformando’
Cantora afirma que o gênero é vivo, atravessa gerações e destaca que o pagode o revitalizou no Carnaval
João Lucas Dantas / Edgar Luz

A cantora Daniela Mercury, que marcou presença na abertura do Carnaval 2026, no Campo Grande, nesta quinta-feira (12), reforçou a importância de manter as tradições culturais ao ser questionada se o movimento do pagodão estaria ofuscando o samba.
“A gente tem que ter consciência disso. Os sambas dos anos 1950 ainda são cantados. Quando você reúne grupos de samba, todo mundo canta tudo. A gente canta até ‘Baiana Boa‘, ‘Sai, sai, sai, ô piaba, sai da lagoa‘, que eu cantava quando era bebê, pequenininha, na escola. O folclore tem disso”, destacou a artista.
“A música pop é uma coisa. O folclore, ou a cultura popular, precisa de manutenção. Por isso a ministra Margareth Menezes cuida tanto da cultura popular, porque são necessários estímulos para a preservação da tradição, inclusive dos nossos museus. O resto é a consciência de cada artista de trazer e revigorar os gêneros”, acrescentou.
Segundo a cantora, há atualmente um movimento de retomada dos sambas antigos, com músicas que estão entranhadas na identidade brasileira e no imaginário popular.
“Quando a gente canta, as gerações vão passando umas para as outras. Lá em casa, meus filhos já sabem músicas antigas que eu nem lembro mais. Então, a gente também precisa deixar acontecer”, pontuou.
Para Daniela, o pagode veio para revitalizar o samba, e não para rivalizar com o gênero. “Era o samba de São João lá no começo dos anos 1980. O Unidos do Capim, com quem eu gravei antes de o pagode se consolidar como movimento. Márcio, Vitor e a turma cantavam ‘Cidade, cidade, quem planta amor vai colher felicidade’. Esse samba duro que eu fiz, ‘Sai de baixo, meu bem, lá vem o vulcão da liberdade’, mostra que o pagode começou como samba duro”, relembrou.
“Tudo vai se transformando. O samba é vivo, como a palavra, como a língua, como o Carnaval da Bahia. A gente está aqui para reinventar e trazer a tradição. A memória afetiva ninguém tira de nós. E no Carnaval a gente precisa entrar com essa energia de felicidade”, concluiu.
A chegada de ‘É Terreiro’
Com o seu grande lançamento do verão, a faixa É Terreiro tem pautado o repertório da cantora e dialoga bastante com a sua relação com o samba citada acima.
“Quando essa música chegou, eu a achei belíssima. Achei que tinha tudo a ver com aqueles sambas bem “tronchos” de João Bosco e Aldir Blanc, porque ela é difícil de cantar. “Maria Padilha” é uma mulher decidida, destemida, é com flor e ferida, ela é meio jazzística, assim. Ela não teme, ela não recua. Então eu disse ‘como é que a gente vai fazer para misturar, para ela não ser só uma música de MPB?'”, se questionou Daniela.
“Aí foi o molho da experiência do axé e das percussões, dos atabaques, que a gente conhece bastante, com os músicos que estão comigo. Inclusive, este ano eu estou com cinco percussionistas; três ficam tocando e dançando lá em cima para ficar mais bonito ainda, junto com o balé. E a ideia era essa: a fusão de ritmos. Por isso a gente conseguiu que ela continuasse sendo samba, mas que fizesse a turma pular no refrão”, destacou.
A cantora diz que cada música que chega é necessário pegar a experiência e entender como fazer para que ela também vire uma canção de Carnaval, como essa, grava em parceria com Alcione.
“Já que eu queria que Alcione e eu fizéssemos uma música para este Carnaval, eu pensei que não ia perder a chance de cantar com essa mulher extraordinária, sambista das maiores do mundo, para a gente fazer esse sucesso. Estou muito orgulhosa. Mandei recado para ela, “olha, a nossa música está crescendo na rua””, finalizou Daniela.
Mais notícias
-
Carnaval23h35 de 12/02/2026
Johnny Massaro celebra novos trabalhos e curte primeiro Carnaval em Salvador
Ator falou sobre as produções para HBO Max, Netflix e destacou relação especial com a capital baiana
-
Carnaval23h35 de 12/02/2026
Margareth Menezes retorna ao Bloco Os Mascarados com homenagem ao Afropopbrasileiro
No alto do trio, 'Maga' dividiu o microfone e a cena com convidados ilustres
-
Carnaval22h38 de 12/02/2026
VÍDEO: Parte do circuito do Campo Grande tem apagão na noite de abertura
Situação causou transtornos aos foliões que aproveitavam o primeiro dia de folia na capital baiana
-
Carnaval22h24 de 12/02/2026
Carnaval da Bahia sempre pode se reinventar, diz Daniela Mercury
Cantora celebra 30 anos de Feijão com Arroz e destaca legado do samba-reggae na abertura da folia
-
Carnaval22h19 de 12/02/2026
Daniela Mercury vence na Justiça e pode mudar programação do Carnaval de Salvador
Equipe jurídica do Crocodilo acionou o Judiciário após o bloco ser sucessivamente deslocado para horários mais tardios; entenda
-
Carnaval21h38 de 12/02/2026
Luiz Caldas abre o Carnaval 2026 com homenagem ao samba no Campo Grande
Artista levou clássicos do axé ao circuito Osmar e fez referência ao tema da festa deste ano
-
Carnaval20h52 de 12/02/2026
VÍDEO: Jerônimo cumprimenta Bruno Reis e ACM Neto na abertura do Carnaval
Cerimônia realizada nesta quinta-feira (12) marcou reencontro entre rivais políticos
-
Carnaval20h20 de 12/02/2026
Bahia e Vitória fazem campanha contra o assédio no Carnaval 2026; confira
Rivais dentro de campo, clubes se unem em ações de conscientização durante a folia
-
Carnaval20h04 de 12/02/2026
‘Prata da casa’: após trios cancelados, Jerônimo exalta blocos e defende artistas locais
Governador defende estrutura para músicos após cancelamentos de trios no Carnaval









