Publicado em 19/02/2026 às 12h18.

PM alega ‘briga generalizada’ e nega homofobia contra professor no Carnaval

Corporação afirma que ferimentos ocorreram em briga entre foliões em Ondina

Raquel Franco
Fotos: Reprodução/TV Bahia; Reprodução/Redes sociais

 

A Polícia Militar da Bahia (PMBA), em nota enviada ao bahia.ba, apresentou uma versão divergente do relato feito pelo professor João Vitor Dias da Cruz sobre o incidente ocorrido na madrugada do dia 15 de fevereiro, no circuito Dodô (Barra-Ondina)

Enquanto a vítima denuncia truculência e homofobia por parte das guarnições, a corporação afirma, em nota oficial, que as equipes intervieram para conter uma “briga generalizada” registrada no local.

Segundo a PM, a atuação das patrulhas de policiamento ostensivo foi imediata para separar os envolvidos e isolar a área. A instituição contesta a origem dos ferimentos relatados por João Vitor e seus acompanhantes, afirmando que um dos envolvidos já apresentava lesões antes da chegada dos agentes.

“Durante a ação, um dos envolvidos, já ferido em decorrência das agressões entre os participantes, identificou-se como policial militar. As equipes realizaram a separação dos envolvidos, o isolamento da área e a condução dos feridos para atendimento médico”, diz o comunicado da PMBA.

Sobre a condução do esposo de João Vitor, que é soldado da corporação, ao Posto de Comando, a PM justifica a medida alegando que o agente, que estava de folga, apresentou “comportamento exaltado e desrespeitoso” durante o curso da ocorrência. A conduta está sendo analisada para apurar a existência de eventual crime militar.

Quanto às graves denúncias de homofobia, uso desproporcional da força e retenção de aparelho celular, a Polícia Militar informou que os fatos serão “rigorosamente apurados” por meio de análise técnica dos procedimentos adotados pelas guarnições 1007 e 1425.

Afastamento judicial

Em uma segunda nota, a Polícia Militar confirmou que já cumpre integralmente a decisão da Justiça, proferida em audiência de custódia no dia 17 de fevereiro, que determinou o afastamento cautelar das atividades ostensivas tanto do policial conduzido quanto dos integrantes das patrulhas que atuaram no Morro do Gato.

A corporação reforçou que a Corregedoria instaurou os procedimentos administrativos disciplinares necessários. O Inquérito Policial Militar (IPM) tem prazo de 60 dias para ser concluído.

“A Polícia Militar da Bahia reforça que seus integrantes são permanentemente capacitados para atuar com técnica e equilíbrio, não compactuando com condutas discriminatórias ou incompatíveis com a ética profissional”, conclui a nota.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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