Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 18/02/2026 às 00h42.
Vandal celebra fé, povo e parceria com o BaianaSystem no Pelourinho
Rapper destacou devoção a Santa Dulce, proximidade com o público e caminhada com a banda
João Lucas Dantas

Rapper destacou devoção a Santa Dulce, proximidade com o público e a caminhada de mais de 10 anos ao lado do grupo no Carnaval Largo
O rapper baiano Vandal marcou presença ao lado da banda Ministereo Público Sound System no Carnaval Largo do Pelourinho nesta terça-feira (17), e em entrevista ao bahia.ba, celebrou a relação entre a sua fé católica e a música, além de destacar a parceria de mais de 10 anos com o BaianaSystem.
Devoto de Santa Dulce, o cantor diz que a sua relação com a fé pauta muito do que acredita como pessoa e como artista, dando forças para continuar em ambas as frentes.
“Eu venho de uma realidade muito difícil, onde eu perdi muitas pessoas. E uma dessas pessoas foi minha avó. E dessa avó eu herdei a fé em Santa Dulce, que foi onde eu consegui entender o que a vida era de uma forma macro. Eu tinha uma visão de vida meio errônea, eu achava que era tudo disperso, e a partir do momento das dificuldades, eu consegui entender que a fé tinha um caminho para mim, acreditar e, através disso, fazer com que o que eu sou — esse porta-voz de algo muito maior do que eu”, depôs Vandal.
O músico relembra conselho dado pelo vocalista do BaianaSystem, Russo Passapusso, em que ouviu que a “música é Deus”.
“Se eu tenho esse dom e essa oportunidade, principalmente dada por Ele, de cantar e fazer com que as pessoas entendam que alguém que saiu de onde eu saí, que poderia não estar aqui hoje conversando com vocês, está ali criando, fazendo com que as coisas aconteçam de uma forma muito honesta e genuína — e não só para mim, porque tem toda uma equipe por trás, tem muita gente fazendo as coisas, inclusive o próprio público que está ali, que está emanando essa energia, que está acompanhando, de uma certa forma, torcendo, desejando para que isso dê certo, para que o Vandal dê certo”, destacou o rapper.
Com lançamento do seu segundo álbum de estúdio marcado para abril deste ano, Vanguarda, afirma que as questões relacionadas ao seu credo irão pautar bastante do que será o novo trabalho.
“Tem muito desse lance ecumênico com a periferia de Salvador, essa busca dessa cura das incertezas, do conseguir deitar no travesseiro e ter uma paz, que é algo que eu não conseguia e só consegui depois que eu encontrei Irmã Dulce na minha vida”, declarou.

A proximidade com o público
Conhecido por realizar os impressionantes feitos de se jogar nos braços da plateia durante os shows e cantar no meio do público, e no Pelourinho não foi diferente, o rapper pontua a importância de se manter junto aos seus fãs a todo momento.
“Eu acredito que eu sou um instrumento divino. Divino não como se eu fosse uma divindade. Eu coloco que eu sou um instrumento guiado por algo maior do que eu. Então, se eu sou guiado por algo maior — e a gente não consegue nem mensurar a grandiosidade de quem me guia, de quem guia todos nós — por que esse afastamento? Por que eu vou me afastar de alguém que é um irmão meu perante o Deus em que eu acredito?”, questiona Vandal.
“Estar no povo, suar com o povo, como minha avó sempre dizia, para mim é uma honra ser abraçado por eles, cair junto, rasgar uma roupa, perder um tênis. Eu acredito muito nessa liberdade que eu tenho com as pessoas. Isso para mim é o principal”, acrescentou.
O rapper afirma dispensar a presença de diversos seguranças que o acompanham e o protegem das pessoas a todo o tempo.
“Eu me olho no espelho e vejo que eu sou alguém que está ali no público comigo. 90% do meu público é preto. Eu sou um instrumento preto. Eu sou alguém que tem que manter essa raiz da troca genuína com o público”, expressou.
“A maioria dos músicos quer ganhar dinheiro, ganhar fama, ganhar ibope e se afastar do público, se trancar nos seus condomínios, nos seus carros. Eu sou o contrário. Eu quero ser cada vez mais popular. Eu estou em todas as festas de Largo. Você vai no Bonfim, você vai me ver. Você vai nos paredões de todos os bairros, você vai me ver. Você vai sair no Pelourinho, habitualmente você vai me ver. Seria trair a mim mesmo, trair a minha fé e trair a minha arte se eu fosse o contrário”, criticou o cantor.
Parceria com o BaianaSystem
Presença habitué no famoso Navio Pirata, Vandal é parte fundamental da tripulação do BaianaSystem. Tendo feito todo o circuito de Carnaval ao lado da banda, o rapper reafirma a importância dessa amizade.
“Para mim é uma honra estar ali em cima do Navio Pirata. Um instrumento popular que conseguiu modificar esse entendimento que se tinha de Carnaval, conseguiu derrubar as cordas, conseguiu fazer com que a liberdade do povo estivesse ali, o olhar de baixo para cima, mais próximo. O lance da construção do carro ali, como ele nessa engenharia, nesse design conseguiu confeccionar um trio que tivesse um apelo com o povo. Como isso é importante”, celebrou.
Com mais de uma década de amizade e parceria, o baiano já está com viagem marcada para São Paulo para desbravar novos mares ao lado dos companheiros.
“Eu sou honrado de estar dentro desse processo. São mais de 10 anos com o Baiana fazendo tudo isso. Me sinto honrado, é um privilégio conseguir estar dentro dessas realizações macropopulares”, celebrou.
“Nunca é algo individual. ‘Ah, aconteceu aquilo com o Vandal.’ Para mim isso é um presente divino. Entender que eu sou um instrumento vivo que tem que fazer essa troca genuína com essas pessoas. Se eu faço no meu show solo, se eu faço com o Baiana, se eu faço quando faço com o Russo sozinho, como vou fazer agora com o Ministério aqui e nas minhas participações, para mim é um caminho que a cada dia vai me mostrando que eu preciso mais disso”, concluiu Vandal.
O crivo do Ministereo
E entrevista ao bahia.ba, o DJ Raiz, um dos idealizadores do projeto do Ministereo Público, que comandou o Largo do Pelourinho com Vandal nesta terça-feira, celebra os mais de 20 anos de caminhada.
“É celebração. Estar com os amigos aí. Mais de 20 anos na caminhada, na luta. E agora a gente está tendo esses convites do Governo, da Secult, para estar nesses momentos de celebração da cidade de Salvador para o mundo. Então é importantíssimo. Muito feliz de estar aqui dividindo e celebrando com vários também que vão estar ali no público”, declarou.
“E é isso: Salvador, Bahia, Jamaica. Estamos indo para a Jamaica depois de amanhã. Vamos fazer uns shows lá e lançar clipe também, música para lançar com artista jamaicano. Então, Bahia e Jamaica estão no sangue, né? Está na memória afetiva do povo”, concluiu o DJ.
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