Publicado em 24/09/2021 às 11h06.

Faeb vê chances reais de ministério autorizar retirada da vacina contra febre aftosa

Estados do sul e parte do norte já adotaram essa medida, lembrou presidente da entidade, que ressaltou papel do produtor neste processo

Adriano Villela
Foto: assessoria Faeb
Foto: assessoria Faeb

 
Pedida pela Bahia e mais 10 estados do bloco IV (Sergipe, Rondônia e todo o sudeste e centro-oeste), a retirada da vacinação contra a febre aftosa a partir de 2023 deve ser aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e do bloco IV, Humberto Miranda. Médico veterinário de formação, o dirigente relatou ao bahia.ba que, na atualidade, as chances de a medida ser implementada seria de 50% pela rejeição e 50% pela aprovação, mas é possível atender todas as condicionantes até o final de 2022.

“Os estados dizem que podem cumprir (as ações exigida pelo Mapa). Eu sou otimista. Acho que o bloco tem condições de avançar e conseguir o status de zona livre de febre aftosa”,afirmou Miranda. Estados do Sul e parte do Norte – que formam os blocos V e I – já usufruem deste status, que aumenta o valor da carne no exterior e abre novos mercados. “Tem países que fecham as fronteiras pra quem ainda usa a vacina, que usa o vírus atenuado”, afirmou o presidente da Faeb. “A Rússia passou a comprar carne do Brasil, mas dos estados do sul”, lembra.

A retirada da vacina contra a febre aftosa é coordenada pelo ministério, via Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA). Parte dos estados do Norte e o restante do Nordeste – correspondentes aos blocos II e III – também ainda se mantêm zona livre com vacinação. A Bahia vacina contra essa doença há cerca de 20 anos. Após a retirada da vacina, é necessário o crivo da OIE (Organização Mundial para a Saúde Animal) para se chegar ao status de zona livre sem vacinação.

Humberto Miranda alertou que para a Bahia e os demais estados do bloco retirarem a vacina o papel do produtor e das associações do setor será essencial. “Nós vamos ter que ter um cuidado sanitário muio maior do que temos hoje”, disse, explicando que o trânsito de animais precisará que ter uma vigilância maior. Outro cuidado será o alerta aos órgãos competentes de eventos adversos para uma atuação mais célere nos casos suspeitos.

Como representante do poder público, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab) apoiou a proposta de retirada da vacina. O órgão da Secretaria da Agricultura do Estado avalia que a medida deve ocorrer em todo o bloco ou não ocorrer. A Bahia já cumpriu 85% dos condicionantes cobrados pelo Mapa, mas São Paulo e Sergipe estão mais atrasados.



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