Governo da Bahia apresenta potencial do Polo Agroindustrial para ministério
"Queremos promover o desenvolvimento sustentável e social da região do Rio São Francisco", diz vice-governador João Leão

O potencial do Polo Agroindustrial e Bioenergético, em implantação na região do Médio São Francisco pelo Governo do Estado, foi apresentado ao Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR) durante missão institucional que visitou a região entre os dias 05 e 07 de agosto, nos municípios baianos de Ibotirama, Barra, Muquém do São Francisco, Casa Nova, Juazeiro, além de Petrolina e Lagoa Grande, em Pernambuco.
Chefiada pelo vice-governador da Bahia, João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico, a delegação conseguiu articular um termo de cooperação técnica que será assinado entre o governo baiano, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) e a Embrapa. A ideia é que a expertise destas entidades contribuam com o desenvolvimento dos projetos de irrigação, fruticultura e de pecuária.
“O objetivo da visita foi apresentar o potencial do projeto ao MDR, para que o ministério possa apoiar a viabilização dos empreendimentos. Este polo já foi referendado como viável por empresários, agrônomos, bancos de fomento e fundos de investimentos. Estamos agora buscando a integração do MDR ao projeto. Queremos, com isso, promover o desenvolvimento sustentável e social da região do Rio São Francisco e Rio Grande. Já temos uma usina sucroalcooleira em execução, outras quatro já prospectadas e a certeza que outros investidores vão se interessar”, afirma Leão.
O Polo Agroindustrial é foco do Governo do Estado para potencializar econômica e socialmente o Médio São Francisco baiano, por meio das Secretarias de Desenvolvimento Econômico (SDE), da Agricultura (Seagri) e de Desenvolvimento Rural (SDR). Há previsão inicial de investimentos privados na ordem dos R$ 2,2 bilhões, nos cinco projetos, com capacidade instalada anual de 10,5 milhões de toneladas de cana (TCH) e possibilidade de gerar 21,2 mil empregos diretos e indiretos.
Para o assessor especial do MDR, Aldo Aloísio Dantas, que compôs a comitiva, o Governo Federal, por meio do ministério, tem buscado a interação entre a iniciativa privada e o poder público. “Uma questão fundamental, e esse projeto traz com todo vigor, é a integração das empresas âncoras. Nós estamos no Oeste da Bahia, com desenvolvimento fantástico, estou surpreso inclusive pela pujança do projeto de irrigação que vai alavancar de vez essa região de Barra”, declara.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, defende que a região de Barra do Rio Grande está se tornando um novo polo de desenvolvimento da agropecuária no estado: “Estamos em uma região pobre, de índices sociais muito baixos e a gente entende que o setor agropecuário é capaz de fazer essa promoção social tão esperada pela população baiana”.
Vocação agrícola
“A região tem uma aptidão agrícola muito forte. Temos aqui uma logística e uma série de fatores favoráveis que proporcionam o sucesso desse polo. Não tenho dúvida que um projeto dessa natureza vem promover desenvolvimento para região, com geração de empregos e renda. O povo baiano está de parabéns. A ideia do Governo do Estado, em parceria com Governo Federal, só vem fortalecer o desenvolvimento da região e quem ganha é a sociedade”, destaca Luís Napoleão, diretor de Irrigação da Codevasf.
Lucas Costa, secretário estadual de Agricultura, destaca que fica motivado com a vocação agrícola que existe na região. “Essa aptidão hídrica é espetacular. Eu tenho certeza que a cana-de-açúcar vem para somar, pois é uma cultura que tem um valor interessante quando se aplica por hectare. Essas agroindústrias que estão para chegar vão empregar a população”, ressalta.
‘Vitrine’
A Fazenda Escola Modelo, que vai desenvolver técnicas agrícolas dentro do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Águas, no município de Barra, servirá de “vitrine” para o Polo Agroindustrial, mas também como referencial na formação agrotécnica e agroindustrial. No local, com uma área de 140 hectares, está sendo implantado um complexo de agroindústrias, projetos de irrigação e de pecuária. A escola já conta com a parceria da Universidade Federal do Oeste Baiano (Ufob) e de diversos empresas.
Uma delas é a Agrovale, de Juazeiro, que também foi visitada pela comitiva técnica. Maior produtora de açúcar, etanol e bioeletricidade da Bahia, com mais de 5 mil funcionários, a empresa vai integrar o projeto. “Esse Polo Agroindustrial será um novo vetor de crescimento e promete mudanças significativas em vários segmentos produtivos regionais. Contribuiremos com o desenvolvimento de técnicas agrícolas e a formação de novos quadros profissionais, com a implantação de um sistema de irrigação por gotejamento na Fazenda Escola Modelo”, reforça o diretor Financeiro e TI da Agrovale, Guilherme Colaço Filho.
“A ideia do polo é importante, pois trata-se de uma região cujo desenvolvimento agrícola ainda está por se definir. A produção de cana-de-açúcar será uma âncora para que outros projetos agrícolas possam se incorporar a este projeto principal, por isso, eu acho que é uma das medidas mais acertadas do Governo do Estado”, diz Josias Gomes, secretário de Desenvolvimento Rural.
Para Celestino Zanella, presidente da Associação de Produtores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o projeto começa da forma certa, por uma escola. “Temos aqui, um horário de sol excelente, água, vamos ter energia e um momento excelente no Brasil, há conhecimento na área de solo, fertilidade, semente, tecnologia de máquina e o mais importante, a demanda”, declara. Já o reitor da Univasf, Paulo Fagundes, explica que os pesquisadores da universidade, com suas expertises, poderão contribuir para o futuro dos jovens da região, com o desenvolvimento de pesquisa e da extensão.
Uvas do Vale
A comitiva do Governo do Estado esteve ainda na região do Vale do São Francisco para visitar os três casos de sucesso de agricultura irrigada: Miolo Wine Group, Rio Sol e Grandvalle. É lá, no sertão baiano, que são produzidas uvas viníferas de qualidade, vinhos e espumantes com rótulos premiados.
“Esta é uma região abençoada, além da aptidão agrícola, da produção de vinhos premiados, espumantes de qualidade, sucos, doces e geleias, a vocação para o enoturismo começa a chamar a atenção e atrair interesses de turistas. Queremos, no pós-pandemia, incentivar ainda mais para que o desenvolvimento continue crescente”, destaca o vice-governador João Leão, titular da SDE.
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