Bando de Teatro Olodum retoma ‘Terças Pretas’ no Vila Velha
A cada terça-feira, sempre às 19h, uma programação nova, incluindo convidados especiais, ocupará o teatro, localizado no Passeio Público, no Campo Grande

Em maio, o Bando de Teatro Olodum retorna com o projeto ‘Terças Pretas’, ocupando o Teatro Vila Velha, em Salvador, com poesia, literatura e espetáculos teatrais. A estreia acontece nesta terça (3), às 19h, com o espetáculo ‘Se Deus Fosse Preto’, monólogo de Sergio Laurentino. Serão cinco edições, quando se evidenciará o modo como a companhia vem unindo arte e militância, influenciando artistas que dão continuidade a essa trajetória.
A cada terça-feira, sempre às 19h, uma programação nova, incluindo convidados especiais, como a atriz e poetisa Vera Lopes, o escritor e professor de Literatura Cuti, o cantor Dão, e a banda IFÁ Afrobeat. O Teatro Vila Velha é gerido pela Sol Movimento da Cena e é uma das 15 instituições apoiadas pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), por meio do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). As Terças Pretas vão acontecer de 3 a 31 de maio, com a Feira Étnica, e diversos artistas e afro-empreendedores expondo produções artesanais, moda e gastronomia.
Programação
Entre os frutos dos 25 anos do teatro negro do Bando está o ator Sergio Laurentino, que abre a programação nesta semana com o monólogo ‘Se Deus Fosse Preto’, com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia). Após 15 peças no currículo e mais de dez anos integrando o Bando de Teatro Olodum, o ator encara seu primeiro espetáculo solo.
Com texto do próprio Sergio Laurentino e direção de Jean Pedro, o espetáculo traz questionamentos sobre como seria se o Deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, fosse substituído por um Deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. Esse é Lhoid, um homem negro, preso injustamente por assassinato, e que na prisão escreve textos que serão base da criação de uma nova religião universal. Sergio Laurentino já atuou em espetáculos do Bando, como Cabaré da RRRRRaça, Áfricas, Bença e Dô , além de participações no cinema (Besouro e Jardim das Folhas Sagradas) e na televisão (as série da Rede Globo Ó paí, ó, e O Caçador).
O teatro herdeiro do Bando de Teatro Olodum continua em cena no dia 10 de maio, com a peça Eles não sabem de nada, com texto e direção de Leno Sacramento e atuação das atrizes Naira da Hora e ShirleI Sanjeva. Todos os três são conhecidos pela atuação nas peças do Bando, como Erê, de 2015. Em Eles não sabem de nada é mostrado, de forma divertida, o encontro entre duas mulheres negras, independentes, militantes, empoderadas e com senso de humor para criticar o machismo. Os ingressos custam R$20 e R$10 (meia).
No dia 17 de maio, o Bando de Teatro Olodum abre espaço para a rica produção literária de escritoras e escritores. É o recital “Vozes Negras”, que valoriza o poder da mulher e as escritas femininas, na voz e na performance das atrizes Valdinéia Soriano, Cássia Vale e Jamile Alves. Com concepção e direção do ator Jorge Washington, o recital terá a participação do violonista Mauricio Lourenço, do ator e percussionista Ridson Reis, que, como os outros artistas envolvidos, é integrante do Bando de Teatro Olodum. O recital terá ainda como convidadas a atriz Luciana Souza, a cantora Aline Sousa, e como atrações musicais a banda IFÁ Afrobeat, a cantora norteamericana Alisa Sanders e o cantor Dão. Ingressos R$20 e R$10 (meia).
No dia 24 de maio, o Teatro Vila Velha sediará o lançamento do livro Terecô de Codó – Uma Religião a Ser Descoberta, escrito por Cícero Centriny, que registra a história da religiosidade de uma comunidade remanescente de quilombo do Maranhão. O livro é o resultado de muitas pesquisas, ao longo de nove anos, e apresenta pontos de vista das autoridades religiosas, entrevistas e depoimentos, além do convívio extenso com os “terecozeiros” e suas práticas religiosas. No lançamento haverá leitura de trechos do livro com a participação do Bando de Teatro Olodum e direção de Antônio Marcelo. Logo após a leitura terá uma fala do autor e autógrafos. A entrada será franca.
E para finalizar o mês do projeto, no dia 31, será realizada a leitura dramática do texto ‘Tenho medo de monólogo’, com a atriz e poeta, Vera Lopes, e o escritor, Cuti, autor do texto, que fará um papo com o público após a leitura. O sistema de pagamento desta leitura dramática será “Ingresso: pague quanto quiser”. Cuti é professor doutor em Literatura Brasileira da Unicamp, autor de diversas obras da literatura afro-brasileira. O texto ‘Tenho medo de monólogo’ é uma reflexão sobre um drama familiar, um mundo feminino, além de abordar questões sobre os preconceitos estruturais de raça e gênero.
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