Publicado em 10/06/2019 às 16h48.

Cachaça, cravo, limão e mel: como O Cravinho se tornou um dos sabores de Salvador

Parada obrigatória para quem vai ao Pelourinho, o bar reúne mais de 30 sabores de bebidas de infusão

Bianca Andrade
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

 

Se no quesito comida o gosto oficial de Salvador é o do acarajé, quando se fala em bebida a capital baiana tem sabor de cachaça, cravo, limão e mel.

Tradição há mais de 32 anos, é quase impossível morar na capital baiana e não saber da existência do bar ‘O Cravinho’ e do seu cardápio variado em bebidas de infusão.

A história do bar começa em 1987, quando Julival Santos resolveu investir em um pequeno espaço no Pelourinho para difundir as infusões que eram consumidas pelos seus antepassados.

“A intenção real do Cravinho era resgatar aquela bebida de infusão, com ervas, flores, frutos e tubérculos. Nessa época eu montei a estrutura com o barril, cachaça de infusão, aquela coisa que já era feita no tempo dos escravos e a coisa funcionou”, diz o fundador do bar, que hoje conta com quatro ambientes internos: o Cravinho – na entrada, o Jatobá – segundo ambiente, a Cachaçaria – ao lado do Cravinho, e a Senzala Vip.

O empurrãozinho para o sucesso foi dado com as edições da ‘Terça da Benção’, promovida pelo Olodum. Seu Julival conta que o bar acabou entrando na rota de baianos e turistas que curtiam a noite no Pelô. “Muita gente ia para a Igreja São Francisco e passava no Cravinho, por muitos anos essa festa da benção deu um movimento muito grande ao bar”.

De lá para cá, O Cravinho se tornou point não só de quem vai curtir a Terça da Benção, mas de quem passa pelo Pelourinho e deseja conhecer um pouco das raízes de Salvador, como é o caso de Fábio Santana, 40, que se tornou cliente assíduo do espaço.

Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

 

“Venho pelo menos uma vez na semana. Conheci o Cravinho por meio dos meus colegas. Eu trabalho aqui perto e toda sexta-feira quando a gente larga do trabalho a gente vem aqui tomar uma”, contou o rapaz, que elege o Jatobá como sua bebida favorita.

E a preferência de Fábio não é exclusiva. Segundo o fundador do bar, o Jatobá está na lista das bebidas mais pedidas d’O Cravinho. “Além do Cravinho, as mais pedidas são o Jatobá e a Senzala. O Jatobá é feito com a casca do Jatobá, que fica na infusão por cerca de 60 dias. A Senzala é feita com Jatobá, Catuaba, Casca de Jatobá, Casca de Catuaba na cachaça e vinho seco. Essa é a terceira bebida mais vendida. As três são o carro-chefe”.

Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

 

Produzida artesanalmente no próprio bar, a bebida chama atenção pelos sabores marcantes e característicos, algo explicado pela dedicação no processo de produção de cada um dos 30 tipos de cachaça.

“Nós a condicionamos em barril de umburana, barril de jequitibá, barril de bálsamo, até o próprio barril de carvalho, que dão uma característica toda especial à bebida. Temos mais de 30 infusões diferentes. Temos a tradicional, que é o Cravinho, temos outras bebidas com cravo, com canela, Jatobá, pau-de-rato, com dandá”, descreve Julival.

E para quem vem de fora, não é só o sabor da bebida que descreve O Cravinho como um grande representante da capital baiana Brasil a fora.

De mudança para Salvador, a curitibana Fabiana Santana, de 34 anos, afirma que se sente acolhida com o ambiente e as pessoas que frequentam o bar. “É uma coisa muito daqui. É muito uma coisa de Salvador, esse calor, a proximidade e a simpatia. Sou apaixonada por esse lugar, não é à toa que estou me mudando”, afirmou Fabiana ao bahia.ba.

“Muitas pessoas brincam e chamam o lugar de Casa dos Flintstones, pela aparência rústica e por causa dos móveis de madeira. Isso tem tudo a ver, o Cravinho com o Centro Histórico”, diz o proprietário do bar.

Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

 

Com todo o sucesso da bebida, é inevitável se perguntar: tem Cravinho em outro lugar que não seja em Salvador?

Pode até existir uma genérica em outros lugares, mas Julival garante que O Cravinho original só se vê na Bahia. “É uma bebida que representa bem Salvador, principalmente por suas características. E é de Salvador para a Bahia, para o Brasil e para o mundo. O Cravinho já foi levado para várias partes do mundo, mas é uma coisa tipicamente nossa. Já recebi propostas para montar o Cravinho em vários outros lugares, inclusive até fora do Brasil. Mas não só pelo conservadorismo, talvez até por um pouco de comodidade, eu preferi deixar o Cravinho aqui, na Bahia, para os baianos, e de certa forma, para todos”.

Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

 

Deu água na boca? Então segue a descrição das mais pedidas do bar para não ficar na dúvida da qual pedir.

– O Cravinho (cachaça, cravo, mel e limão)
– Canela (cachaça, canela, mel e limão)
– Jatobá (cachaça, casca de Jatobá, mel e limão)
– Senzala (cachaça, vinho, Catuaba, Jatobá, mel e limão)

Valores: R$ 4 a dose; R$ 16 meio litro; R$ 32 o litro.

Endereço:  Largo Terreiro de Jesus – Pelourinho, Salvador – BA, CEP 40026-010
Funcionamento: das 11h às 21h45

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