Publicado em 05/05/2026 às 07h38.

Cantora baiana revisita clássico do É O Tchan e apresenta releitura via IA

Nova versão possui abordagem mais sensual e refinada, que bebe da fonte de outros ritmos negros

Redação
Foto: Divulgação/Assessoria/Kafé

 

A cantora Cinara mostra que veio para romper barreiras ao combinar pagode com R&B e tecnologia. Na quinta-feira, 30 de abril, a artista apresentou uma releitura inédita de “Mexe Mexe Mainha”, clássico do grupo É O Tchan, originalmente lançado em 1997. A faixa está em todas as plataformas de áudio e foi produzida pelo pesquisador musical Eduardo Oliveira, à frente do projeto Não Sou Robô, no qual Edu utiliza inteligência artificial na construção dos arranjos.

“Mexe Mexe Mainha” ocupou o topo das paradas de sucesso nos anos 90, época que marcou o auge da carreira do É O Tchan e ajudou a consolidar um fenômeno cultural que projetou a Bahia para todo o Brasil.

“Eu gosto de pegar músicas que já fazem parte da memória afetiva das pessoas e trazer isso para o meu universo, com a minha identidade. ‘Mexe Mexe Mainha’ tem essa energia de festa, e eu acho que combina muito com esse clima de feriadão, de viagem, de encontro com amigos”, destaca Cinara.

Ao revisitar a obra, Cinara incorpora a “Mexe Mexe Mainha” uma abordagem mais sensual e refinada, que bebe da fonte de outros ritmos negros, como blues, soul e reggae, inerentes à construção artística da cantora e compositora de 22 anos.

Inspirada por referências da black music, Cinara tensiona o gênero norte-americano ao incorporar elementos do pagode baiano e da percussividade afro, criando uma estética que é, ao mesmo tempo, global e territorial.

IA (inteligência artificial artística)

A escolha por “Mexe Mexe Mainha” ousa ao unir tecnologia e memória coletiva. Segundo o produtor Eduardo Oliveira, a faixa surgiu a partir de experimentações com clássicos do É O Tchan em diferentes linguagens musicais.

“Existe uma possibilidade imensa de reinventar músicas já conhecidas. Fui testando versões, estilos, até chegar a um resultado que fizesse sentido. Não foi imediato, foi um processo de escuta e construção”, afirma.

No processo de criação, explica Edu, a inteligência artificial aparece como ferramenta e não como substituição do fazer artístico.

“É uma nova forma de fazer arte, em que você lida com a IA para criar algo novo, nem ela tem o total controle nem você. É na interação entre você e o software que a música surge”, atenta-se.

Há, segundo Edu, uma diferença entre o uso automatizado da tecnologia e o trabalho autoral mediado por ela. “Existe a música ‘por’ IA, em que você apenas insere um comando, e a música feita ‘com’ IA, que exige construção, revisão, escolhas. Você vai moldando o resultado, e isso depende de estudo, de repertório e de entendimento musical”, detalha ele.

Nesse sentido, Edu reforça que o elemento humano segue sendo central no processo criativo. “O olhar humano está sempre. Nada nasce que não seja do humano. A tecnologia vem para complementar, ampliar possibilidades, mas o início é sempre humano”, afirma. O single tem co-produção de Ricardo Belo e mix/master de Kafé — equipe que evidencia o caráter colaborativo e sensível do trabalho.

“Mexe Mexe Mainha” integra um novo projeto da cantora, baseado em IA, que será lançado em breve. Esse novo trabalho contará com outra versão de um clássico do É O Tchan, “Paquerei”.

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