Carlinhos Brown celebra novo álbum sinfônico gravado em Salvador
Em entrevista ao bahia.ba, cantor relembra detalhes da gravação com a Orquestra Ouro Preto

Após reunir multidões em praças e teatros ao redor do Brasil, o encontro histórico entre Carlinhos Brown e a Orquestra Ouro Preto foi eternizado no álbum ao vivo Afrossinfonicidade, gravado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.
O projeto singular está sendo lançado em dois volumes nas plataformas digitais. A primeira parte chegou na última sexta-feira (5) e o segundo volume será lançado no dia 26. Para celebrar a união entre a percussão baiana e o sinfônico mineiro, o bahia.ba conversou com o próprio Brown, que contou os detalhes dos bastidores.

O encontro Bahia e Minas
Cantor, compositor, percussionista e produtor musical, é considerado um dos grandes nomes da música brasileira. Fundador da Timbalada, ele ajudou a popularizar ritmos como o samba-reggae e a música percussiva baiana no Brasil e no mundo.
Além da carreira nos palcos, Carlinhos Brown também se destaca pelos projetos sociais e culturais que desenvolve no bairro do Candeal, em Salvador.
Já a Orquestra Ouro Preto é uma das mais prestigiadas formações orquestrais do país. Fundada em 2000, em Minas Gerais, destaca-se por unir a música de concerto a diferentes estilos e influências, criando espetáculos inovadores que aproximam o grande público da música clássica.
Sob a direção artística e regência do maestro Rodrigo Toffolo, a formação já se apresentou em importantes palcos nacionais e internacionais, acumulando prêmios e reconhecimento por sua versatilidade. Além dos concertos, o grupo desenvolve projetos educacionais e sociais voltados à formação de novos músicos e à democratização do acesso à cultura.
Juntos, os artistas revisitaram o repertório do baiano com uma nova roupagem sinfônica assinada por Paulo Malheiros.
Entre os destaques do Volume 1 está “Frases Ventias”, faixa originalmente lançada no clássico Alfagamabetizado, álbum que completa 30 anos em 2026. Para Brown, ver suas composições ganharem nova vida foi uma “experiência muito emocionante”.
“A percussão sempre foi a minha primeira linguagem, mas a música que nasce dela carrega melodias, harmonias e narrativas que muitas vezes vão além do ritmo. Quando a Orquestra Ouro Preto traz essa leitura sinfônica, ela amplia as possibilidades e revela novas camadas das composições”, expressa o cantor e multi-instrumentista.
“É como se as músicas ganhassem uma nova paisagem sonora, sem perder a sua essência. Para mim, Afrossinfonicidade mostra que a matriz afro-brasileira é universal, sofisticada e capaz de dialogar com qualquer linguagem musical”, acrescentou.

Diálogo cultural
O projeto promove o diálogo entre universos que muitas vezes são tratados de forma segregada, como a tradição dos terreiros, dos blocos afro, da música popular brasileira e o repertório das grandes orquestras.
Ao unir essas expressões no mesmo palco, o espetáculo reforça a riqueza da identidade cultural brasileira, marcada pela diversidade, ancestralidade e troca cultural.
“A principal mensagem é que a cultura brasileira não nasce da separação, mas do encontro. O Brasil é uma grande obra de miscigenação cultural, onde diferentes saberes, sons e tradições convivem e se transformam mutuamente. Em Afrossinfonicidade, não existe uma linguagem servindo à outra; existe um diálogo”, explica o compositor.
“Os tambores, os terreiros, os blocos afro e a música sinfônica compartilham a mesma capacidade de emocionar, de contar histórias e de conectar pessoas. Esse trabalho reforça que a nossa identidade cultural é plural, sofisticada e profundamente criativa”, pontuou.

Novas perspectivas
Revisitar canções de diferentes momentos da carreira no novo disco foi também uma forma de reencontrar a própria trajetória artística sob uma nova perspectiva.
Faixas como “Dois Grudados”, “Argila”, “Ocaso”, “Segue o Seco” e “Muito Obrigado Axé” ganham novos contornos, preservando sua força original, mas dialogando com a sofisticação da linguagem orquestral.
Já o Volume 2 amplia essa viagem pela memória afetiva do público ao apresentar novas interpretações para composições criadas ao lado dos Tribalistas, como “Vilarejo”, “Velha Infância” e “Já Sei Namorar”, além de sucessos que marcaram gerações, como “A Namorada” e “Amor I Love You”.
Ao reunir diferentes fases de sua obra, Brown evidencia sua constante evolução como artista, além de celebrar o legado de Alfagamabetizado, disco que o projetou para o mundo.
“Eu digo que encontrei a finalização do álbum Alfagamabetizado agora, ao lado da orquestra, porque “Frases Ventias”, por exemplo, era para ter arranjo sinfônico, e isso só foi acontecer 30 anos depois. Ouvir essas composições depois de tanto tempo em uma nova roupagem só reafirma que a arte está sempre em movimento”, expressa.
Para o músico, o resultado revela que a música não pertence a uma única forma de interpretação. “As canções crescem, ganham leituras inéditas e encontram novos públicos. O projeto mostra essa capacidade de transformação, mantendo a raiz”.

A relação com a Concha Acústica
A escolha da Concha Acústica do Teatro Castro Alves como cenário do registro ao vivo trouxe uma carga emocional extra para o cantor, por ser um palco emblemático em sua trajetória.
“A Bahia é o lugar onde a minha música nasceu, onde estão as referências que formaram a minha escuta, a minha relação com o ritmo e com a criação. E a Concha é mais do que um palco, é um templo da nossa música. Ali vivi encontros marcantes, celebrei amizades e renovei minha fé na arte baiana. Gravar lá foi uma forma de devolver à cidade um trabalho que também foi inspirado por ela”, declarou Brown.
Celebrando essa conexão interestadual, dois dos maiores polos criativos do país, o cantor define a parceria como um reflexo da amplitude da brasilidade.
“A presença da Orquestra Ouro Preto traz uma riqueza muito grande. Minas e Bahia compartilham histórias, influências e uma profunda contribuição para a cultura nacional. Afrossinfonicidade é a expressão dessa união: uma obra que nasce das raízes locais, mas que aponta para uma identidade brasileira ampla, diversa e profundamente conectada”, explica.
Sempre ligado ao coletivo — seja na Timbalada, nos projetos sociais no Candeal ou em grandes espetáculos populares —, o trabalho com a Orquestra dialoga com a visão de mundo do cantor, que enxerga a arte como algo construído em comunidade.
“Acredito que a música é também um exercício de convivência. Ela nos ensina a ouvir o outro, a encontrar harmonia nas diferenças e a construir algo maior do que aquilo que cada indivíduo poderia realizar sozinho”, celebrou.
“Uma orquestra é uma expressão muito bonita do coletivo: cada músico tem sua individualidade, mas todos trabalham em função de uma obra comum. O mesmo acontece com os blocos afro, com as rodas de percussão e com as manifestações populares que tanto me inspiram.”
Experimentando linguagens e formatos
Depois de mais de quatro décadas de carreira explorando novas linguagens e formatos, Brown mostra que sua inquietude artística permanece intacta.
“Sempre acreditei que a música é um organismo vivo, que se transforma a cada encontro, a cada experiência e a cada geração. Eu sigo me sentindo um aprendiz, alguém disposto a descobrir novas possibilidades para aquilo que a arte pode comunicar. Esse projeto representa a confirmação de algo em que sempre acreditei: a música brasileira é infinita”, afirmou.
“As matrizes afro-brasileiras que me formaram têm uma riqueza tão profunda que conseguem dialogar com diferentes linguagens sem perder sua identidade. O encontro com a Orquestra Ouro Preto mostra justamente essa capacidade de expansão, de criar novas leituras a partir das mesmas raízes”, concluiu Carlinhos Brown.
Ao vestir clássicos do axé, do pop e da MPB com a sofisticação das cordas e sopros mineiros, sem silenciar a força ancestral dos tambores, o projeto entrega ao público um retrato fiel de um Brasil que orgulha e emociona.
Com o Volume 1 já disponível e a expectativa pelo lançamento do Volume 2 no dia 26, a união entre Brown e a Orquestra Ouro Preto cumpre sua mais nobre missão, mostrar que as fronteiras na música só existem para serem superadas.
Mais notícias
-
Evento13h54 de 08/06/2026
Arraiá Folia da Família completa 25 anos e recria estética do interior em espaço urbano
Edição deste ano acontece entre os dias 03 e 19 de junho, na AABB Salvador, no horário da tarde
-
Evento13h34 de 08/06/2026
Xande de Pilares e Grupo Revelação se reencontram em Salvador para show de nova turnê; saiba data
Apresentação acontece no dia 26 de setembro, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova
-
Famosos12h39 de 08/06/2026
Após trajetória na emissora, Angélica encerra contrato com a Globo
Contrato da apresentadora foi encerrado em maio e não foi renovado
-
Famosos12h23 de 08/06/2026
Após ser derrotado por Bambam, Davi Brito anuncia luta com Popó: ‘Pau vai quebrar’
Novidade foi revelada pelo vencedor do BBB 24 no domingo (7)
-
STREAMING12h20 de 08/06/2026
Netflix revela primeiro visual de Scooby-Doo em série live-action
Teaser destaca o icônico cachorro pela primeira vez e mostra o início de amizade com Salsicha
-
Famosos11h51 de 08/06/2026
Às véspera da Copa do Mundo, Virginia Fonseca é alvo de investigação da Polícia Federal
Uma empresa ligada à influenciadora e ao ex-marido, Zé Felipe, recebeu mais de R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024
-
Show11h35 de 08/06/2026
‘Quintas Forrozeiras’ transformam a Estação Rubi em arraiá
Del Feliz comanda a próxima edição do projeto, que une música, dança e gastronomia
-
São João 202611h19 de 08/06/2026
Coreto Musical leva forró ao Largo do Santo Antônio Além do Carmo
Shows gratuitos acontecem de 9 a 24 de junho e celebram a cultura nordestina; veja programação
-
Evento10h58 de 08/06/2026
Arena Nº 1 terá show de Xanddy Harmonia neste sábado (13)
No repertório, o cantor aposta em um show que reúne sucessos que marcam sua trajetória e os lançamentos mais recentes da carreira









