Publicado em 17/07/2026 às 15h24.

Carlos Prazeres e Manno Góes celebram retorno do TCA com Concerto Afro

Maestro da OSBA e diretor musical do espetáculo destacam a valorização da cultura afro-baiana

Carolina Papa / João Lucas Dantas
Foto: Caio Lírio/ Divulgação

 

Em preparação para a terceira noite de apresentações comemorativas da reabertura do Teatro Castro Alves (TCA), a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) realizou um ensaio geral na manhã desta sexta-feira ao lado de Carlinhos Brown, Ilê Aiyê, Luedji Luna e Majur para o espetáculo Concerto Afro, que acontece neste sábado (18).

O bahia.ba acompanhou os preparativos e conversou com o maestro da OSBA, Carlos Prazeres, e o diretor musical do concerto, Manno Góes. Ambos destacaram o simbolismo da volta do principal equipamento cultural da Bahia e a escolha de uma homenagem à cultura afro-baiana para marcar o reencontro da orquestra com sua casa.

Para Carlos Prazeres, a missão da OSBA é representar a diversidade da sociedade baiana e estreitar os laços entre a música sinfônica e a população.

“A Orquestra Sinfônica da Bahia tem que ser uma amálgama da população. Ela tem que se misturar com a sua sociedade. Todo e qualquer baiano tem que se sentir representado ali, e não civilizado por ela. Eu sempre entendi que uma orquestra tem que fazer parte da sua sociedade, tem que ser um espelho da sua sociedade”, afirmou.

Segundo o maestro, a presença de artistas como Carlinhos Brown, Majur e Ilê Aiyê traduz esse propósito e evidencia a força da cultura negra de Salvador.

“Nada melhor, nada mais lindo do que a gente estar aqui hoje com Carlinhos Brown, com Majur, com tanta gente incrível fazendo esse Concerto Afro. Salvador é a Roma Negra, e a gente tem muita alegria e muito orgulho em dar essa visibilidade à cultura negra da nossa cidade, do Brasil e do mundo”, acrescentou.

Diretor musical do espetáculo, Manno Góes ressaltou que a reabertura do Teatro Castro Alves representa muito mais do que a entrega de um espaço reformado.

“O TCA é uma extensão, é um cartão-postal de Salvador. A gente não está reabrindo um espaço somente, está reabrindo uma história. Vários sentimentos estão envolvidos em um processo como esse”, disse.

Ele explicou que cada concerto preparado para marcar a retomada das atividades do teatro recebeu um tema específico, sendo o Concerto Afro dedicado à valorização das raízes africanas presentes na cultura baiana.

“A Bahia é um dos estados mais negros do Brasil e tem essa representatividade da cultura negra. Nós somos muito gratos a toda essa existência forte que temos na Bahia pelas nossas heranças culturais africanas, e a homenagem de hoje é justamente a essas heranças. A gente pensou em um repertório que representasse esse orgulho e dialogasse com as canções interpretadas pelos artistas convidados”, contou.

Manno também destacou o caráter multidisciplinar da programação elaborada para a reabertura do TCA e o protagonismo da OSBA na construção do espetáculo.

“Cada concerto tem uma particularidade muito especial. A direção de Elísio Lopes coloca teatro, repente, poesia. São vários elementos artísticos sendo homenageados aqui neste palco do TCA, e a OSBA é a cereja do bolo, aquela coisa que faz com que tudo exploda e aconteça de uma forma maravilhosa”, concluiu.

Carolina Papa
Jornalista. Repórter de política, mas escreve também sobre outras editorias, como cultura e cidade. É apaixonada por entretenimento, música e cultura pop. Na vida profissional, tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação, redação e social media.

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