Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 12/05/2026 às 11h30.
Cine Glauber Rocha cita vandalismo após polêmica sobre acesso ao terraço
Vídeo publicado por influenciador questionando a nova política de acesso ao espaço repercutiu nas redes
João Lucas Dantas

Foto: Divulgação
O Cine Glauber Rocha se pronunciou nesta terça-feira (12) após a repercussão envolvendo a nova política de acesso ao tradicional terraço do espaço cultural, localizado no Centro Histórico de Salvador.
A discussão ganhou força nas redes sociais após um vídeo publicado pelo influenciador soteropolitano conhecido como Ruivo Baiano, que criticou a decisão do cinema de restringir a entrada ao local apenas para pessoas com ingresso para filmes no local.
A primeira “denúncia”
Na publicação, o influenciador relatou ter sido impedido de subir ao terraço para aguardar uma amiga e assistir ao pôr do sol.
Segundo ele, funcionários informaram que o acesso ao espaço agora estaria condicionado à compra de ingressos para sessões ou eventos realizados no local.
A situação rapidamente gerou repercussão entre internautas, que classificaram a medida como “lamentável” e criticaram a falta de comunicação sobre a mudança.
Durante o vídeo, Ruivo Baiano também questionou o fato de o Cine Glauber Rocha receber incentivos e manter relações institucionais com o poder público, citando apoios do Governo do Estado e da Prefeitura de Salvador.
Segundo ele, por se tratar de um equipamento cultural com ações voltadas ao acesso público e à democratização da cultura, o espaço deveria permanecer aberto à população.
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A nota de esclarecimento
Diante da repercussão, o cinema divulgou uma nota de esclarecimento explicando os motivos da decisão. No comunicado, o Cine Glauber Rocha afirma que o espaço foi reformado com capital privado e que não recebe patrocínio fixo do Estado ou da Prefeitura, com exceção dos recursos emergenciais da Lei Paulo Gustavo.
A administração também explicou que, desde a pandemia, mantém uma parceria com as secretarias estaduais de Cultura e Educação, na qual o valor do aluguel devido ao Estado é revertido em ingressos para cerca de dois mil estudantes da rede pública por mês. Segundo o cinema, os custos operacionais seguem sendo mantidos pela própria empresa.
Sobre a restrição de acesso ao terraço, o cinema afirmou que a decisão foi tomada após episódios recorrentes de depredação e comportamentos inadequados no local. De acordo com a nota, o espaço vinha sofrendo danos como pias quebradas, furtos de lâmpadas e destruição de artes tradicionais expostas no prédio histórico.

Ainda segundo o comunicado, o controle de acesso começou há pouco tempo e teria contribuído para a redução dos problemas. “As depredações cessaram e o ambiente voltou a ser tranquilo e acolhedor”, afirmou a instituição na nota.
O espaço também destacou sua atuação cultural e social em Salvador, afirmando que busca democratizar o acesso ao cinema por meio de sessões populares entre R$ 9 e R$ 10 e da ampla exibição de produções brasileiras. Segundo o Glauber, mais de 135 filmes nacionais já foram exibidos no local apenas em 2026.
Símbolo cultural da capital baiana e em funcionamento como cinema desde 1919, o Cine Glauber Rocha afirmou que segue estudando novas formas de ocupação para o terraço e reafirmou o compromisso com a preservação da cultura baiana.
Confira nota na íntegra:
O Cine Glauber Rocha recebe patrocínio do Estado ou da Prefeitura?
O Glauber foi reformado com capital privado e se mantém por esforços próprios. A única exceção foi a lei emergencial Paulo Gustavo. Devido à força dos streamings e efeitos da Covid-19, salas de cinema recebem apoio em muitos países, prática ainda incomum no Brasil.
O Cine Glauber Rocha paga aluguel ao Estado?
Desde a pandemia, em parceria com as sec. estaduais de Cultura e Educação, o aluguel devido pelo cinema é revertido no ingresso de dois mil estudantes da rede pública por mês.
O cinema arca com os custos operacionais (luz, água, projeção e distribuidoras), enquanto o Estado providencia o transporte dos alunos. A ação garante o acesso às salas e a devida formação de público.
O Cine Glauber Rocha possui contrapartida social?
Embora não existam obrigações contratuais, a democratização do acesso e a exibição do cinema nacional são os pilares que nos norteiam. Diariamente, o Glauber oferece sessões a R$9,00 ou R$10,00.
Vale ressaltar que 50% desse valor é das distribuidoras e produtoras, além dos impostos pagos por ingresso. Manter uma sala tem alto custo; um projetor profissional custa mais de R$350 mil. Mesmo como ente privado, o Glauber busca ser inclusivo e democrático. Somos um dos cinemas que mais exibe filmes brasileiros no país, com mais de 135 títulos em 2026, sempre com excelência técnica.
Por que limitar o acesso ao terraço?
Infelizmente, nos últimos meses o cinema enfrentou situações de comportamento inadequado e depredação do prédio. Além de pias quebradas, lâmpadas furtadas, o que mais doeu foi ver os desenhos de Glauber constantemente danificados. Operamos com acesso controlado há pouco tempo e os resultados são positivos: as depredações cessaram e o ambiente voltou a ser tranquilo e acolhedor.
O Cine Glauber Rocha no Centro Histórico de Salvador
Hoje, novos teatros e equipamentos transformam a região. Somos zelosos com este espaço histórico, símbolo da cidade que funciona como cinema desde 1919. Seguimos atentos e estudando novas formas de ocupação para o terraço.
Reafirmamos o nosso total compromisso com a valorização e a preservação da cultura baiana.
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