Publicado em 12/04/2019 às 09h45.

Com boa dose de humor, Jô Soares aconselha Bolsonaro em ‘carta aberta’

Publicado nesta sexta-feira na Folha de São Paulo, texto do jornalista brinca com equívocos do presidente: "Não se deixe influenciar por certas palavras"

Redação
Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

 

Autor de peças e programas de comédia, Jô Soares usou uma boa dose de humor e ironia em uma carta aberta, publicada na Folha de São Paulo nesta sexta-feira (12), dirigida ao presidente da República Jair Bolsonaro (PSL).

Jô se dedicou a explicar alguns equívocos de Bolsonaro, entre eles o de que o nazismo teria sido um movimento de esquerda. O escritor fez um apanhado histórico da origem de um partido alemão e lembrou que o próprio Adolf Hitler quis retirar o nome “social” da sigla do NSDAP (em alemão: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães).

O apresentador diz que também já foi “alvo de chacota” por confundir o nome de dois filósofos, um dinamarquês e o outro austríaco, e pede que Bolsonaro não “deboche” muito do seu erro.

“Imagine o senhor que confundi o dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard, filósofo, teólogo, poeta, crítico social e autor religioso, e amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista; com o filósofo Ludwig Wittgenstein, que, como o senhor está farto de saber, foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico e um dos principais autores da virada linguística na filosofia do século 20.”

Jô, roteirista e diretor de teatro, separa ainda alguns “exemplos” para que o presidente não seja influenciado por “certas palavras”. Entre as dicas, uma delas é de que Bolsonaro não tenha receio de entrar em um “elevador social”. “Isso não fará do senhor um trotskista fanático”.

Por fim, ‘o Gordo’ convida o capitão para assistir ao seu espetáculo, mas ressalta que sofre um dilema. “Foi quando surgiu um dilema impossível de resolver. Claro que eu o colocaria na plateia à direita. Assim, o senhor, à direita, me veria no palco à direita. Só que, do meu lugar no palco, eu seria obrigado a vê-lo sempre à esquerda”, brinca Jô, que assinou a carta como ‘Influenciador Analógico’. Veja texto completo aqui.

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