Publicado em 12/03/2026 às 19h01.

Davi Moraes se emociona com estátua de Moraes Moreira: ‘Meu pai me inspira’

Músico falou sobre a emoção de ver o pai eternizado na Praça Castro Alves

João Lucas Dantas / Edgar Luz
Foto: João Lucas Dantas/Bahia.ba

 

A inauguração da estátua de Moraes Moreira, nas proximidades da Praça Castro Alves, nesta quinta-feira (12), em Salvador, foi marcada por emoção entre familiares, amigos e admiradores do cantor e compositor. Entre os presentes estava o músico Davi Moraes, filho do artista, que falou sobre o significado de ver o pai eternizado em um dos locais mais simbólicos do Carnaval da capital baiana.

Visivelmente emocionado, Davi destacou a forte ligação que Moraes tinha com o público e com a cidade.

“É difícil para a gente traduzir em palavras esse momento, mas o sentimento é de um artista que tinha uma ligação direta com o povo dele, com a gente dele, através dessa fé e coragem que ele teve de sair lá de Ituaçu, só com a fé mesmo, a cara e a coragem para buscar viver de música e conquistar tudo isso, para estar aqui hoje num lugar que era esse xodó da vida dele, que era essa praça”, disse.

Segundo ele, o momento também desperta lembranças de diferentes fases da trajetória do cantor. “Passa mesmo um filme, né? Porque eu e Cissa vimos o casamento dele com minha mãe, vimos toda a ascensão da carreira dele. A gente pôde acompanhar desde a saída dos ‘Novos Baianos’, depois os primeiros passos da carreira solo e todo o crescimento dele aqui no Carnaval”, relembrou.

História com o trio elétrico

Davi também destacou a importância da relação de Moraes Moreira com a história do trio elétrico e com a família Macedo. “Depois daquele encontro mágico que foi os ‘Novos Baianos’, teve esse outro encontro igualmente mágico com a família Macedo e com Dodô. Eles escreveram essa história que nos emociona e nos inspira todos os dias”, afirmou.

Para o músico, o legado do pai vai além da música e está ligado também à forma como ele se relacionava com o público:

“Meu pai me inspira todos os dias. Eu me lembro dos exemplos que ele deixou para a gente, exemplos como pessoa, como artista, como comunicador. Ele sempre se preocupou com o povo, com a massa, sempre quis estar perto do folião pipoca, dos blocos, dos trios que nunca levantaram a corda, que sempre tocaram para sua gente”, declarou.

Emoção ao ver a estátua pronta

Davi Moraes também contou que participou das primeiras conversas sobre o conceito da obra ao lado do artista plástico Roberto Manga, responsável pela escultura. Mesmo assim, ver o monumento finalizado pela primeira vez foi um momento especial.

“A gente participou junto com o Roberto um pouco da ideia de como a gente queria, até através de uma foto que a gente gostava muito, que tinha esse braço erguido junto com o violão. A gente achava que tinha que ter o violão com ele, um companheiro inseparável”, explicou.

Ele também destacou a importância do instrumento na identidade musical de Moraes. “Ele, como tantos gênios da nossa música, tinha uma assinatura própria no violão. São autodidatas que criaram uma forma única de tocar. Então o violão não podia faltar”, afirmou.

Ao falar sobre o primeiro contato com a escultura já instalada na praça, o músico voltou a se emocionar. “A gente participou um pouco dessa elaboração, mas ver a coisa pronta aqui agora, na posição onde vai ficar eternizada, é uma emoção realmente muito diferente. Até um pouco indescritível”, pontuou.

Lugar simbólico

Para Davi Moraes, a escolha da Praça Castro Alves para receber o monumento carrega um significado especial para a memória do artista.

“Ele gostaria de estar aqui, realmente, junto com Castro Alves, um cara que também cantou a vida inteira. A gente fica muito feliz e emocionado. E poder também, sempre que passar por essa praça, que nós todos amamos tanto, poder ter esse encontro aqui”, concluiu.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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