Publicado em 27/02/2026 às 16h26.

Espetáculo performático ‘Floresta’ ocupa o Teatro Gregório de Mattos em março

Instalação de dança criada por Thiago Cohen propõe reflexão sobre natureza, ancestralidade e coletividade

João Lucas Dantas
Foto: Samira Dantas/ Divulgação

A instalação-performática de dança Floresta realiza curta temporada no Teatro Gregório de Mattos, com seis apresentações nos dias 14, 15, 21 e 22 de março. Aos sábados, as sessões acontecem às 16h — com audiodescrição — e às 19h; aos domingos, às 18h. Todas as apresentações contarão com tradução em Libras. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

A obra nasce da residência artística [RE]Floresta, que integra o projeto homônimo e reúne intérpretes convidados em um processo criativo voltado às relações entre corpo, natureza e coletividade. Criado por Thiago Cohen — artista da dança, arte-educador e pesquisador —, o trabalho parte da ideia de “devir-árvore”, compreendendo o corpo como extensão da terra, dos galhos, das raízes e dos ventos.

Inspirado por reflexões de Ailton Krenak e Leda Maria Martins, o espetáculo evoca a circularidade do tempo, a espiral como tecnologia ancestral e a coletividade como potência de invenção de vida.

“Venho aprendendo a ser árvore e a escutar o tempo das pedras, das folhas e dos galhos. A dança que proponho nasce dessa escuta, dessa compreensão de que somos natureza. Ser floresta é ser coletivo”, afirma Cohen.

A cena como instalação viva

Floresta é construída como uma instalação de dança. Antes mesmo do início da performance, o espaço já estará ocupado por coleções de folhas verdes e secas, materiais suspensos e elementos orgânicos ressignificados. Itens que seriam descartados em podas urbanas ganham nova presença e instauram um território sensorial.

A performance se organiza em diferentes estações que atravessam respiração, ativação das folhas, deslocamentos circulares e modos de “desvio-árvore”. Em uma delas, intérpretes equilibram galhos na cabeça enquanto atravessam lentamente o espaço, acionando giros, espirais e curvaturas. Em outra, folhas de palmeira espalham matéria pelo chão, criando órbitas e serpenteando os corpos. A iluminação reforça as texturas orgânicas e cria uma atmosfera de ritual contemporâneo.

Arte, ecologia e coletividade

Em diálogo com a urgência climática apontada por relatórios internacionais, Floresta compreende a arte como espaço de denúncia e, ao mesmo tempo, de esperança. A obra propõe reconstruir imaginários e mover coreo-poéticas ecológicas, afirmando a dança como prática de escuta e reconexão.

Com apresentações já realizadas em cidades como São Paulo (SP), Jacobina (BA), Senhor do Bonfim (BA), Uberlândia (MG), São Mateus (ES) e Assunção, no Paraguai, o trabalho reafirma o percurso de Thiago Cohen em pesquisas que cruzam dança e poesia em perspectiva afropindorâmica. Mais do que um espetáculo, Floresta propõe uma experiência compartilhada entre artistas e público.

“Diálogos da floresta” na escola de dança da ufba

Como parte das ações formativas do projeto, acontece no dia 10 de março, na Escola de Dança da UFBA, o encontro Diálogos da Floresta, com duas sessões: às 10h e às 18h30, ambas com interpretação em Libras.

A atividade busca ampliar as reflexões propostas pelo espetáculo, abordando relações entre dança, ancestralidade, meio ambiente e práticas pedagógicas contemporâneas. As conversas integram a semana de acolhimento semestral da Universidade Federal da Bahia e contam com parceria do Mestrado Profissional em Dança (PRODAN).

A mesa das 10h terá participação de Edu O., coreógrafo, dançarino, escritor e diretor do Grupo X de Improvisação em Dança, e de Marilza Oliveira, professora da Escola de Dança da UFBA e criadora do conceito “CorpOrixá: território ancestral de uma dança encarnada”.

Já a mesa das 18h30 contará com a participação da artista e ativista ambiental Zulmí Nascimento, mestranda em dança na UFBA com pesquisa sobre culturas afro-indígenas e danças brasileiras, e da artista cênica colombiana Daniela Botero Marulanda, professora da Escola de Dança da UFBA e pesquisadora das relações entre corpo, memória, festas indígenas, oralidade e dança.

O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, com recursos do Ministério da Cultura do Governo Federal.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.