Publicado em 11/02/2021 às 12h11.

Falta de patrocínio tira artistas e blocos afro do Carnaval em 2021

Na contramão do movimento, Claudia Leitte e Ivete Sangalo apresentam uma live no final de semana com que terá patrocínio da Audi, e apoio de outras 6 marcas

Bianca Andrade
Foto: Divulgação/ Assessoria KB Comunicação Criativa
Foto: Divulgação/ Assessoria KB Comunicação Criativa

 

“Como eu digo ao meu coração…” que neste ano o Ara Ketu não fará parte do Carnaval? Pela primeira vez em anos, o grupo, um dos mais tradicionais da história da Axé Music, não estará presente na folia momesca, que em 2021 acontece de forma diferenciada devido à pandemia do coronavírus, por falta de patrocínio.

O grupo se junta a outros grandes artistas negros da música baiana que foram ‘vetados’ do Carnaval neste ano, como Margareth Menezes, o bloco Ilê Ayiê, e a banda Olodum, que na última quarta-feira (10) anunciou o cancelamento da live que realizaria no final de semana pelo mesmo motivo.

Em entrevista ao bahia.ba, Dan Miranda, atual vocalista do grupo, lamentou a ausência na festa, mesmo que de forma virutal. O artista, que em março completa 1 ano longe dos palcos, afirmou não entender o motivo que faz o Ara e tantos outros artistas locais não receberem a atenção de patrocinadores.

“Vai fazer um ano que a gente fez o último show, e a live que nós fizemos foi com recursos próprios, só que o recurso que nós tínhamos, que foi do Carnaval do ano passado acabou. É meio complicado, os patrocínios a gente infelizmente não tem conseguido, a gente até tenta fazer alguma coisa, mas não rola. Enquanto temos alguns artistas que independente de qualquer coisa, faz a live com 16 patrocínios. Eu não sei qual é o motivo disso”, conta.

Na contramão da falta de patrocínio para artistas de bloco afro, no final de semana que aconteceria o Carnaval, cerca de 16 lives acontecem com patrocínios de grandes marcas como a de Claudia Leitte e Ivete Sangalo que terá patrocínio da Audi, da Engov e da Koleston, e apoio de outras 6 marcas. E a de Bell Marques, que conta com os patrocínios de SKOL, TargiforC, Tintas Iquine, Riachuelo, Pitú, ITS Brasil, Rappi, Banco PAN, Shopping da Bahia e Paramana.

“Vários outros artistas que estão muito em evidência hoje conseguem patrocínio, o pessoal fica correndo atrás para oferecer live, em compensação, bandas como o Ara Ketu, o Olodum, Margareth Menezes, não recebem essa atenção e se fossem fazer seria com recurso próprio”.

A única vez que o grupo ficou de fora do Carnaval em Salvador foi em 1992, quando a banda realizou a festa fora do país por falta de espaço para se apresentar na capital.

Para Dan, faltou atenção para o setor de eventos e entretenimento em geral durante a pandemia. O artista conta que em 2020 chegou a juntar um grupo de amigos para ajudar colegas da música que estavam passando por dificuldades, pela falta de auxílio que os profissionais desse setor tiveram ao longo dos meses.

“São milhões de profissionais diretos e indiretos que estão sem receber durante esse período. É uma coisa muito difícil de encarar, tenho visto alguns colegas passarem dificuldades, fizemos um mutirão para ajudar a arrecadar alguns salários mínimos para ajudar 20 famílias, só que chega uma hora que fica difícil para todo mundo”.

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