Publicado em 27/04/2026 às 17h36.

‘Farmar aura’, ‘six seven’ e mais: entenda as gírias que estão dominando o TikTok

Expressões da Gen Alpha misturam humor caótico, cultura gamer e ironia

Edgar Luz
Imagem gerada por IA

 

Quem passa alguns minutos no TikTok percebe rápido que o idioma ali já é outro. Além dos vídeos curtos, cortes acelerados e memes que mudam a cada semana, uma nova leva de expressões têm ganhado espaço na rede social, sobretudo entre usuários mais jovens.

A chamada Geração Alpha, que cresceu totalmente conectada, criou um vocabulário próprio, marcado por referências de jogos, cultura pop e um tipo de humor que nem sempre faz questão de ser explicado.

Não se trata apenas de gírias no sentido tradicional. Muitas dessas expressões funcionam como códigos de grupo, piadas internas ou respostas irônicas que só fazem sentido dentro daquele ambiente. O exagero e o absurdo fazem parte do jogo. Em alguns casos, a graça está justamente em parecer sem lógica.

Esse movimento tem relação direta com a forma como o conteúdo é consumido hoje. Vídeos rápidos, repetição de tendências e influência global fazem com que termos em inglês se misturem ao português sem esforço. Plataformas como o TikTok e o YouTube ajudam a espalhar essas expressões em velocidade alta, muitas vezes antes mesmo de elas serem totalmente compreendidas.

Abaixo, algumas das gírias mais usadas no momento e o que elas querem dizer dentro desse novo contexto:

Farmar aura
Expressão que junta a lógica dos jogos com comportamento social. “Farmar” vem da ideia de acumular pontos ou recursos. “Aura” diz respeito à imagem que a pessoa passa. No uso prático, significa tentar parecer interessante, misterioso ou estiloso de forma intencional. Dependendo do tom, pode soar como elogio ou deboche.

Aura
Sozinha, a palavra virou termômetro social. Ter “aura” é ter presença, chamar atenção sem esforço. Perder “aura” é passar vergonha ou quebrar uma expectativa.

Six seven (6/7)
Uma das mais caóticas. Não tem definição fixa. Aparece como resposta vaga, meio indiferente, usada quando a pessoa não quer se comprometer com opinião nenhuma ou só quer entrar na brincadeira.

Rizz
Derivada de “charisma”. Indica capacidade de conquistar alguém, seja no flerte ou no carisma geral. Virou quase uma métrica de popularidade.

Delulu
Versão encurtada de “delusional”. Define alguém que está claramente iludido, mas muitas vezes com tom leve, quase celebrando a própria ilusão.

Canon event
Popularizada por Spider-Man: Across the Spider-Verse, a expressão descreve situações inevitáveis na vida de alguém. Algo que precisava acontecer, mesmo que seja negativo.

Main character
Usada para quem se comporta como protagonista da própria história. Pode ser positiva, quando indica confiança, ou crítica, quando aponta excesso de ego.

Side quest
Termo vindo dos games. Define tarefas aleatórias do dia a dia que não são prioridade, mas acabam acontecendo.

Cooked
Indica que alguém está em uma situação ruim, sem saída. É como dizer que a pessoa “já era”.

Let him cook
Convite para deixar alguém continuar fazendo algo, geralmente porque existe expectativa de que aquilo vai render.

NPC
Referência a personagens de jogos que não têm autonomia. Quando aplicado a pessoas, aponta comportamento automático, sem personalidade.

Sus
Abreviação de “suspect”. Popularizada por Among Us, é usada quando algo parece estranho ou suspeito.

Mid
Classificação para algo mediano, que não empolga.

O mais curioso é que essas expressões já começam a ultrapassar o ambiente digital. Aparecem em conversas, legendas e até em campanhas publicitárias que tentam dialogar com um público mais jovem. Nem sempre funcionam fora do contexto original, mas indicam uma mudança na forma como a linguagem circula.

No fim das contas, entender essas gírias não é só acompanhar tendência. É observar como uma geração que cresceu dentro da internet transforma linguagem em entretenimento, identidade e pertencimento.

Edgar Luz
Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.

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