Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 23/03/2026 às 10h53.
Filho de Elis Regina defende remixagem de álbum: ‘Aprovado pela família’
Pedro Mariano afirma que projeto foi feito com respaldo legal e artístico
João Lucas Dantas

O posicionamento público de Cesar Camargo Mariano contra a remixagem do álbum Elis (1973) — relançado na última terça-feira, 17 de março, data que marcou o 81º aniversário de nascimento de Elis Regina (1945–1982) — gerou intenso debate nas redes sociais ao longo do fim de semana.
Grande parte dos internautas demonstrou apoio à crítica de Cesar, pianista, arranjador e diretor musical do disco original. Para ele, a nova versão desconsidera completamente as decisões artísticas construídas em parceria com Elis durante a gravação e a mixagem do trabalho.
Diante da repercussão, Pedro Mariano, filho de Cesar e Elis, se manifestou na noite de domingo (22). O cantor saiu em defesa da remixagem, conduzida pelo engenheiro de som Ricardo Camera, sob supervisão de João Marcello Bôscoli, primogênito da artista.
Pedro afirmou que não houve desrespeito no processo e ressaltou que todas as decisões envolvendo o legado de Elis passam pelos herdeiros, ele, João Marcello e Maria Rita. Segundo o artista, o objetivo da nova versão é ampliar o alcance da obra, dialogando com novas gerações a partir das tecnologias atuais, sem substituir o álbum original, que segue disponível nas plataformas digitais.
A íntegra da manifestação de Pedro Mariano:
“Olá, gente! Tudo bem? Estou vindo aqui pra me posicionar em relação a uma certa comoção que vem ganhando reverberação por aqui nas redes quanto ao lançamento do disco da Elis de 1973, que foi remixado pelo Ricardo Camera, sob a supervisão e direção do João Marcello, meu irmão. Confesso que não entendi o motivo da polêmica!
Como herdeiros, João Marcello, Maria Rita e eu, detemos o direito total irrestrito de aprovação e de veto de qualquer projeto que venha ao nosso encontro que tenha a Elis como seu objeto principal. Temos ao nosso lado as gravadoras que possuem os materiais originais e que são as proprietárias dos fonogramas contendo as vozes da Elis. Temos também competentes e experientes escritórios de advocacia especializados nas questões jurídicas e artísticas que envolvem todas as liberações. Há décadas estamos à frente de uma empreitada gigante de manter o legado da Elis vivo e presente.
Enfrentamos muitos desafios que vão desde a perda de memória cultural até os algoritmos de hoje em dia. Mesmo assim, os fãs da Elis tiveram biografias, filmes, documentários, peças de teatro, musicais e uma enormidade de homenagens em álbuns, audiovisuais e publicidade. Sempre respeitando a liberdade artística dos que criam e geram esses conteúdos.
Se um projeto da Elis está no ar, foi porque nós, o herdeiros, aprovamos. Isso é ponto pacífico. Não existe, portanto, a menor possibilidade de um projeto que estejamos envolvidos ter sido feito à nossa revelia. Remixagens feitas por DJs mundo afora frequentemente chegam até nós e, a despeito de qualquer gosto artístico ou estético, nossa maior preocupação é manter o legado da Elis vivo. Estando tecnicamente correto e com todas as questões legais envolvidas resolvidas, que Elis siga cantando para o maior número de pessoas.
O disco em questão, ‘Elis’, de 1973, passou por processo rigoroso de recuperação e, após essa etapa, foi decidido que seria remixado e relançado sob essa bandeira de “Remix”, mantendo o álbum original em todas as plataformas onde as duas versões podem coexistir. Trata-se de uma nova visão de um álbum incrivelmente bem sucedido em todas as suas características, com o propósito de trazer às novas audiências uma nova experiência, sob a luz das novas tecnologias disponíveis hoje em dia.
Não houve falta de respeito, critério e carinho em nenhuma etapa. Não faltou dedicação, seriedade e amor no processo. Fizemos algo semelhante há alguns anos com o disco ‘Elis & Tom’, onde novos “momentos” foram resgatados e uma nova abordagem em termos de mixagem também foi utilizada.
Não é obrigatório gostar do álbum! Apenas lembrem que nós, João Marcello, Maria Rita e eu, estamos envolvidos e em nenhum momento estivemos munidos de qualquer sentimento que não fosse o melhor para a obra dela. Aos que não gostaram, segue o original nas plataformas, para seguirem curtindo, como sempre! Aos que estão abertos às novas experiências, que as novas tecnologias nos proporcionam:
Viva Elis!”
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