Publicado em 21/06/2026 às 19h31.

Fulô de Mandacaru rebate crise no forró e exalta força do São João da Bahia

A declaração foi dada neste sábado (21), durante apresentação no palco principal do Largo do Pelourinho

Luana Neiva / Marcos Flávio Nascimento
Foto: Reprodução / bahia.ba

 

A banda Fulô de Mandacaru rebateu a ideia de que o forró vive uma crise e afirmou que o gênero segue forte e em expansão no Brasil e no exterior. A declaração foi dada neste sábado (21), durante apresentação no palco principal do Largo do Pelourinho, no São João promovido pelo Governo da Bahia.

Ao comentar a discussão sobre o espaço do forró no mercado musical, o grupo avaliou que o gênero atravessa ciclos naturais, mas nunca perdeu sua relevância.

“Na verdade, a leitura da Fulô de Mandacaru vai em outra direção. O forró está em alta. Se você olhar os prêmios que nós ganhamos e alguns outros do gênero nesse momento, o forró nunca esteve em baixa. Na verdade, a gente tem ciclos no mercado comercial. Qualquer segmento é assim, inclusive na cultura”, afirmou a banda.

Os artistas defenderam que o fortalecimento do gênero passa pelo trabalho dos próprios músicos, com investimentos nas carreiras e na qualidade dos shows. “O que a gente tem que fazer, em vez de ficar só no mimimi, é lutar, fazer bons shows, investir cada vez mais na carreira. Às vezes, no seu lugar, você não é tão respeitado, mas existem mais de cinco mil municípios no Brasil. Então, o forró está em plena expansão, não só no Brasil, mas no mundo.”

A banda também destacou a importância da união entre os artistas do segmento e da defesa coletiva da categoria. “Às vezes, quando um está do lado do outro, a gente também tem que se solidarizar. Nós já sofremos muito isso nacionalmente e víamos, às vezes, grandes vozes da música não falarem por aqueles que mais precisavam.”

Leis de incentivo e valorização da cultura

Durante a entrevista, os músicos defenderam a importância de políticas públicas voltadas à valorização da cultura nordestina e do forró.

“Por isso que é importante ter as leis. A Lei da Zabumba, aqui na Bahia, e a Lei Luiz Gonzaga, que nós protagonizamos nacionalmente, precisam ser efetivadas. Porque enquanto nós não tivermos leis, vai depender da vontade de alguém indicar um artista ou retirá-lo da programação.”

Para o grupo, o São João representa uma das maiores manifestações culturais do Nordeste e precisa continuar sendo valorizado. “O São João é essa celebração. E a Bahia dá um show ao promover grandes festas durante todo o mês.”

Relação especial com a Bahia

Naturais de Cabrobó, em Pernambuco, os integrantes da Fulô de Mandacaru fizeram questão de agradecer ao público baiano pelo carinho recebido ao longo dos anos.

“A gente agradece muito à Bahia, porque a Bahia abraça todos os artistas do Brasil. Nós somos de Cabrobó, Pernambuco, mas só este ano estamos fazendo quase 30 shows aqui no estado.”

A banda também destacou a energia do público baiano e contou que, mesmo após uma rotina intensa de apresentações, a recepção dos fãs renova as forças para seguir na estrada.

“A energia daqui é surreal. A gente sobe ao palco e já fica impactado. Ontem fizemos três shows, estamos com pouco mais de duas horas de sono, cansados, mas felizes. Essa é a nossa missão. Deus nos deu a oportunidade de levar alegria para as pessoas.”

Defesa do forró raiz

Conhecida por valorizar as tradições nordestinas, a Fulô de Mandacaru afirmou que manter viva a herança deixada por nomes históricos do gênero é uma responsabilidade dos artistas da nova geração.

“É entender que Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Dominguinhos e tantos grandes artistas construíram essa caminhada. A gente tem uma obrigação moral de preservar a nossa história e a nossa cultura.”

Segundo a banda, o diferencial dos shows está justamente na combinação entre clássicos do forró e músicas mais atuais, sem abandonar as raízes do gênero. “O São João é a celebração de tudo que o nordestino mais ama: da dança, da música e da culinária. A gente procura fazer um repertório que vai de Luiz Gonzaga até a atualidade sem perder a tradição.”

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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