Publicado em 06/07/2026 às 15h32.

Fundação Pierre Verger recebe exposição inédita de Adriano Machado em Salvador

Mostra "Retratos Submersos" reúne 17 fotografias que revelam memórias, identidades e histórias invisibilizadas

João Lucas Dantas
Foto: Divulgação

A Fundação Pierre Verger, no Centro Histórico de Salvador, abre no dia 10 de julho, às 17h, a exposição “Retratos Submersos”, do fotógrafo baiano Adriano Machado. A mostra reúne 17 fotografias coloridas que propõem um olhar sensível sobre histórias e memórias que vão além dos estereótipos, revelando narrativas muitas vezes ocultas.

Natural de Feira de Santana, Adriano Machado explica que seu trabalho parte da observação do cotidiano das pessoas. “Eu gosto de mergulhar no cotidiano das pessoas”, afirma. Segundo o artista, cada retratado carrega experiências que merecem ser compartilhadas. “São histórias que ficam encobertas por um véu. Um véu de beleza que eu procuro revelar”, completa.

As imagens foram produzidas em diferentes localidades da Bahia — como Salvador, Feira de Santana e Alagoinhas —, além de Belém e Ilha de Marajó (PA), Teresina (PI) e das cidades norte-americanas de Detroit e Nova Orleans.

Para construir os retratos, Machado investiu em um processo baseado na convivência, confiança e respeito com as pessoas fotografadas, relação que, em alguns casos, levou anos para ser consolidada. No texto de apresentação da exposição, o curador Bruno Pinheiro destaca que o artista rompe com a ideia de autoridade do fotógrafo, construindo imagens a partir da intimidade desenvolvida com cada personagem.

A população negra ocupa papel central na produção de Adriano Machado. “Para mim, a fotografia constrói um lugar de proteção para a população negra”, afirma o artista.

Entre os destaques da exposição está a obra “Navegante de Mil Temporais”, registrada na Ilha de Marajó, que retrata uma mulher dentro de um barco e faz referência às narrativas de fé, resistência e força feminina. Outra fotografia marcante é “Trama”, produzida em Alagoinhas, que mostra uma mulher costurando ao lado dos dois filhos. “Foi costurando linhas que ela criou os dois filhos”, resume o fotógrafo.

Também integra a mostra a obra “Miguel”, uma homenagem póstuma a um professor que dedicou a vida à educação. Segundo Machado, após a morte do educador, sua casa foi destruída pelos cupins, e a terra restante foi utilizada na criação de um quadro em sua memória.

A exposição integra a quinta edição do projeto 16 Ensaios Baianos, iniciativa da Fundação Pierre Verger voltada à valorização da fotografia produzida na Bahia e ao fortalecimento do diálogo entre artistas e pesquisadores da imagem.

Sobre o artista

Doutorando em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Adriano Machado desenvolve trabalhos em fotografia, vídeo e instalação, abordando temas como identidade, memória e territórios afroinventivos. O artista já participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo a Bienal de Dakar, Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, no CCBB, e mostras em Nova York, Londres e Lisboa.

Ao longo da carreira, recebeu premiações como o Prêmio Marc Ferrez 2024, o Prêmio Estímulo do 4º SAPF e o Prêmio-Aquisição do Circuito de Arte Latino-Americano, além de realizar residências artísticas no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Suas obras integram acervos públicos e privados, como o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), a coleção do Banco do Nordeste e a Casa de Cultura Mario Quintana.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.