Publicado em 20/04/2026 às 20h26.

‘Gastronomia é política’, diz Jéssica Senra em debate na Bienal do Livro Bahia 2026

Jornalista mediou mesa sobre cultura e alimentação e destacou como a culinária revela identidade, poder e desigualdades sociais

Edgar Luz
Foto: Reprodução/Redes Sociais @jessicasenra

 

A jornalista Jéssica Senra marcou presença na Bienal do Livro Bahia 2026 nesta segunda-feira (20), onde atuou como mediadora da mesa ‘O que a Bahia come, o mundo aprende’. O debate reuniu as chefs Lili Almeida e Leila Carreiro, em uma conversa sobre cultura, identidade e os significados da culinária baiana. Em entrevista exclusiva ao Bahia.ba, ela refletiu sobre o papel político da gastronomia.

Ao comentar se a comida também carrega um posicionamento político, Jéssica destacou que a culinária vai além do prato e está diretamente ligada à história e à identidade de um povo.

“A nossa culinária baiana é muito mais do que comida. Ela conta a nossa história, ela conta a nossa identidade. E tem, sim, essa questão política. A gente falou muito sobre a questão do poder, como a comida baiana, que é feita por mulheres pretas, que tem história de ancestrais, da nossa ancestralidade não só negra como indígena também, muitas vezes é deixada de lado”, afirmou.

A jornalista também criticou a valorização desigual dentro do setor, destacando o protagonismo feminino muitas vezes invisibilizado. “A gente tem, dentro da gastronomia, uma exaltação muitas vezes dos chefes homens, quando a gente sabe que a mulherada é quem sustenta mesmo a culinária e a gastronomia. A gente tem, muitas vezes, uma visão voltada para a culinária europeia e esses outros países que são ditos periféricos ou de terceiro mundo, que produzem, na verdade, comida de altíssima qualidade”, ponderou.

Ela ainda pontuou que escolhas sobre o que é valorizado na gastronomia refletem relações de poder globais. “Então, a comida, sim, é muito política. E a posição que se coloca, que se valoriza ou que não se valoriza certos temperos, sabores e locais, tem tudo a ver com essa geopolítica mundial”, declarou.

Ao abordar a relação entre alimentação e desigualdade social, Jéssica afirmou que o que chega à mesa também revela recortes econômicos e sociais. “A Leila falava um pouco sobre isso, de como a culinária baiana veio mudando a partir do que a gente tem de abundante por aqui. O que faz a culinária da Bahia é o que é farto por aqui”, disse.

Ao final, ela exemplificou como os pratos tradicionais refletem diferentes realidades sociais e de acesso. “Hoje a gente fala em moqueca de camarão, mas no passado isso não era acessível. Então, hoje a gente come moqueca de ovo, muitas vezes. Alguns têm acesso a moqueca de camarão, outros comem moqueca de lagosta. Então, às vezes, também, o que a gente come fala de que lugar a partir desses ingredientes, desses outros elementos que a gente traz para a nossa comida”, concluiu.

Edgar Luz
Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.

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