Publicado em 28/03/2026 às 19h56.

Gilberto Gil encerra turnê ‘Tempo Rei’ em SP com reflexões sobre finitude e tempo

Aos 83 anos, artista reflete sobre a finitude e o "frio na barriga" na despedida

Raquel Franco
Foto: Felipe Souto Maior/AgNews/Divulgação

 

O cantor e compositor Gilberto Gil realiza, na noite deste sábado (28), a apresentação de encerramento da turnê “Tempo Rei”. O show acontece no Allianz Parque, em São Paulo, marcando a sétima performance do artista baiano na arena paulistana apenas nesta temporada de despedida.

Acompanhado de sua família musical, que inclui os Gilsons, a neta Flor Gil e a nora Mãeana, Gil celebra seis décadas de carreira em uma estrutura de grande porte que percorreu o Brasil e o exterior. 

Em entrevista ao jornalista Thiago Crespo, da TV Globo, o músico de 83 anos confessou que a experiência não eliminou o frio na barriga antes das apresentações. “Isso, aliás, é uma coisa que tem sido constante. Eu nunca deixei de ter frio na barriga. Mesmo em pequenas atuações, shows menores, esporádicos. É o que chamam de frio na barriga. Eu não sei se é na barriga”, afirmou o cantor.

Relação com o tempo 

O conceito da turnê, batizada em homenagem a uma de suas composições mais emblemáticas, serviu como base para reflexões sobre o atual momento de vida do artista. Gil descreveu uma mudança na percepção cronológica ao se aproximar dos 84 anos.

“Já há uma mudança de qualidade da tecitura da matéria do tempo. A materialidade do tempo ficou diferente, mudou muito. Estamos sendo levados para as finalidades. O tempo leva a gente para a finitude, para o acabar do tempo. O tempo acaba. Que é quando a vida termina”, disse.

Luto

A jornada da turnê “Tempo Rei” foi atravessada pelo luto familiar. Em julho de 2025, a cantora Preta Gil morreu aos 50 anos. A última vez em que pai e filha dividiram o palco foi justamente no Allianz Parque, meses antes da partida da artista. Sobre a morte, Gil afirmou tratar o assunto com dedicação na música e na escrita.

“O tempo acabou para ela. Muito nova, 50 anos de idade. A vida decidiu levá-la ainda quando ela poderia viver ainda mais. Mas viveu de uma forma muito intensa, muito bonita, muito particular. Porque ela era uma pessoa muito especial”, afirmou Gil.

Futuro pós “Tempo Rei”

Embora a turnê marque a despedida das grandes excursões e estádios, Gilberto Gil sinaliza que a relação com a música permanecerá íntima. O artista destacou a presença constante do violão em sua rotina doméstica no Rio de Janeiro.

“O violão tem que estar lá. Fiquei pensando: puxa vida, companheiro eterno. Vai ficar comigo até o final ali do meu lado. Vai ser meu companheiro até o final”, concluiu.

Apesar do encerramento oficial da turnê hoje, Gil ainda possui um compromisso agendado para o dia 7 de setembro, quando se apresentará no palco Mundo do Rock in Rio, na mesma noite do britânico Elton John.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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