Publicado em 31/03/2026 às 14h57.

Ilê Aiyê lança livro com mais de 200 canções que celebram ancestralidade

Publicação será apresentada no Curuzu e reúne composições históricas do bloco afro

João Lucas Dantas
Foto: Maiara Cerqueira/ Divulgação

 

Canções emblemáticas, memórias e a força da tradição do Ilê Aiyê agora estão reunidas em livro. Com mais de 200 composições, a obra Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê registra a musicalidade, a história e a resistência que ecoam há décadas no som do primeiro bloco afro do Brasil.

O lançamento acontece no dia 7 de abril, às 14h, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, durante a cerimônia de encerramento do projeto “Música e Educação”.

O evento é gratuito e aberto ao público, com apresentação de Val Benvindo, participação de Vovô do Ilê Aiyê e show da Band’Erê. Também participam Valéria Lima, Catarina Lima e convidados como Arany Santana e Lindinalva Barbosa. Pela manhã, a programação inclui atividades com integrantes da Escola Mãe Hilda de Jitolu, familiares e o público em geral.

Organizado pela jornalista e diretora-executiva do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, Valéria Lima, com pesquisa de Catarina Lima, o livro reúne textos e contribuições de diversos autores, como Maria de Lourdes Siqueira, Tiganá Santana e Arany Santana. A publicação se consolida como um documento histórico e afetivo, que preserva e compartilha esse patrimônio cultural, conectando gerações por meio da música, da palavra e da ancestralidade.

Mais do que uma coletânea, a obra reafirma a potência da cultura negra e o legado construído coletivamente pelo Ilê Aiyê, referência nacional e internacional na valorização da identidade afro-brasileira.

Para Valéria Lima, o livro também cumpre um papel educacional importante, contribuindo para a aplicação da Lei 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. “As letras de música do Ilê contam a história do povo negro do Brasil e da África, além de abordarem personalidades importantes. É uma ferramenta de estudo e também uma homenagem aos compositores que, há mais de 50 anos, cantam nossa história”, afirma.

O presidente do bloco, Antônio Carlos Vovô, destaca o papel da música no processo educativo. “Esse livro é extremamente importante, sobretudo quando pensamos na musicalidade do Ilê. É por meio da música e da poesia que trabalhamos o resgate da autoestima do povo negro, especialmente da mulher negra”, ressalta.

Projeto música e educação

O projeto Música e Educação é desenvolvido pelo Ilê Aiyê, pelo Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, Olodum e pela Casa da Ponte – Orquestra Afrosinfônica, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e com apoio do Ministério da Educação, por meio da SECADI.

A iniciativa marcou a retomada das atividades da Escola Mãe Hilda, interrompidas durante a pandemia de Covid-19. Ao longo de 2025, promoveu ações formativas, culturais e pedagógicas voltadas à educação antirracista e à valorização da cultura afro-brasileira.

Entre os resultados, estão a formação certificada de mais de 80 professores, conduzida pela pesquisadora Cleidiana Ramos, além de encontros com compositores, circulação de obras literárias e fortalecimento da estrutura institucional.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.