Investimento de US$ 13 bilhões da Microsoft na OpenAI não será investigado pela UE

    Comissão Europeia decidiu que união não merece investigação porque não chega ser aquisição, Microsoft não controla direção da OpenAI

    Foto: Mohammad Rezaie/Unsplash

    O investimento de US$ 13 bilhões da Microsoft na OpenAI deve evitar uma investigação formal por parte dos órgãos de fiscalização de fusões da União Europeia, acalmando os temores de que o relacionamento entre as empresas possa ser rompido. A Comissão Europeia decidiu que a união não merece uma investigação formal porque não chega a ser uma aquisição e que a Microsoft não controla a direção da OpenAI, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

    Segundo informações do portal InfoMoney, o braço antitruste da UE disse em janeiro que estava analisando se o envolvimento da Microsoft com a OpenAI deveria ser examinado depois que um motim contra o criador do ChatGPT expôs laços profundos entre as duas empresas.

    Um porta-voz da comissão disse que, para examinar potenciais preocupações concorrenciais, o órgão de fiscalização “primeira precisa concluir que houve uma mudança de controle numa base duradoura” entre as duas empresas.

    No centro da parceria entre a Microsoft e a OpenAI estão as enormes quantidades de poder computacional necessárias para manter em funcionamento o boom mundial da IA generativa. A execução de sistemas por trás de ferramentas como o ChatGPT e a Bard, do Google, aumentou a demanda por serviços em nuvem e a capacidade de processamento.

    Por sua vez, a Microsoft também tem procurado ativamente mais parcerias com empresas emergentes de IA, anunciando no início deste ano uma parceria de US$ 16 milhões com a empresa de tecnologia francesa Mistral AI.

    Os investimentos de US$ 13 bilhões da Microsoft na OpenAI despertaram o interesse dos reguladores – incluindo, assim como da UE, a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido e a Comissão Federal de Comércio dos EUA – desde que um escândalo envolvendo a empresa de IA sobre a demissão e subsequente recontratação de Sam Altman como chefe do OpenAI no final do ano passado.

    O CEO da Microsoft, Satya Nadella, ajudou pessoalmente a negociar e defender seu retorno à empresa – a certa altura, oferecendo-se para contratar o próprio Altman, junto com outros funcionários da OpenAI que queriam sair. O conselho da OpenAI concordou em reintegrar Altman e a empresa, então, nomeou um conselho interino de três pessoas e adicionou a Microsoft como observadora, sem direito a voto.

    Esse episódio levou os reguladores a examinar o acordo. O órgão de fiscalização do Reino Unido disse que examinaria se o equilíbrio de poder entre as duas empresas mudou fundamentalmente para dar a um lado mais controle ou influência sobre o outro, e a Comissão Federal de Comércio dos EUA fez investigações iniciais sobre o acordo.

    A UE disse que analisaria os investimentos da Microsoft como parte de um exame mais amplo dos riscos anticompetitivos trazidos pelo envolvimento das Big Tech nas tecnologias de IA da próxima geração.