Publicado em 25/03/2026 às 13h25.

Maestro Ricardo Castro celebra turnê histórica do Neojiba na China

Orquestra infantojuvenil baiana fará apresentações em quatro cidades chinesas entre abril e maio

João Lucas Dantas
Foto: da esq. para dir., maestro Ricardo Castro, da Neojiba; presidente da BYD Brasil, Tyler Li; e secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia, Felipe Freitas
Foto: Cleomário Alves – SJDH-BA

 

A montadora chinesa BYD e o Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) anunciaram uma parceria na manhã desta quarta-feira (25), que levará a orquestra infantojuvenil para sua décima turnê internacional, em 2026 — desta vez, na China.

O anúncio foi realizado na sede do Neojiba, no Largo do Queimado, e contou com a presença do secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, do maestro Ricardo Castro, regente da orquestra, e do presidente da BYD Brasil, Tyler Li.

A turnê acontece entre o fim de abril e o início de maio, com apresentações em diferentes cidades do país. A programação começa no dia 28 de abril, com a chegada à China.

No dia 29, a orquestra se apresenta em Pequim, no Beijing Forbidden City Concert Hall. Em seguida, passa por Xi’an no dia 1º de maio, com concerto no Xi’an City Concert Hall; por Tianjin no dia 3 de maio, no Tianjin Theatre; e por Shenzhen no dia 5 de maio, no Shenzhen Concert Hall. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 8 de maio.

Maestro Ricardo Castro
Foto: João Lucas Dantas / bahia.ba

Importância e desafios das turnês internacionais

O maestro Ricardo Castro, criador e diretor do programa, além de regente da orquestra desde sua fundação, em 2007, ressaltou ao bahia.ba a importância e os desafios de levar cerca de 110 jovens para uma nova experiência internacional.

“Eu já toquei no Japão e na Rússia, mas na China será a primeira vez. Fico muito feliz de chegar lá com os jovens do Neojiba. É uma aventura sem precedentes. É a maior turnê de uma orquestra brasileira na China, e vamos nos apresentar nas principais salas das cidades. Ou seja, é uma turnê de prestígio”, afirmou.

Ele também destacou o desafio de se apresentar para um público novo, mas demonstrou entusiasmo com o cenário cultural do país.

“A China hoje é a maior fábrica de instrumentos do mundo, a maior escola de música e a maior consumidora de música. São milhões de pessoas estudando e apaixonadas pela música, sem essa divisão entre música chinesa ou europeia. Eles absorvem o que há de mais belo produzido pela humanidade. Isso é uma grande lição”, disse.

“Eles conseguem manter forte a própria cultura e, ao mesmo tempo, abraçar com carinho as diversas culturas do mundo”, completou.

Além do reconhecimento internacional, o Neojiba voltou a ganhar destaque recente nas redes sociais. Nas últimas semanas, páginas de música no Instagram resgataram uma apresentação do grupo na França, em 2018, destacando a qualidade da orquestra.

“Ficamos na televisão europeia durante um ano, em 2018, com esses vídeos. O Neojiba é um programa extremamente conhecido. Como disse o secretário, virou sobrenome: ‘fulano do Neojiba’. Quando você chega a uma instituição na Europa e diz isso, já é respeitado”, afirmou.

“A gente recebe isso com alegria. É o retrato de um trabalho feito com qualidade. Levamos esses jovens para as melhores salas do mundo, e eles brilham, tocando desde ‘Tico-Tico’ até Beethoven, Brahms, Villa-Lobos, Jambeiro e Wellington Gomes — repertório sofisticado, que exige muita dedicação”, concluiu o maestro Ricardo Castro.

Foto: Cleomário Alves/SJDHBA

Impacto social

Em entrevista ao bahia.ba, o secretário Felipe Freitas destacou a importância da transformação social promovida pelo Neojiba, para além do campo cultural.

“É uma experiência que atua na dimensão mais profunda das comunidades. Está presente no dia a dia, nos núcleos comunitários, nos 13 núcleos que mantemos no estado, no interior e na capital, transformando a vida de toda a família. A partir da entrada do jovem na educação musical, mudamos a vida de todos ali, do ponto de vista da inclusão, de novos horizontes e de desenvolvimento”, afirmou.

Segundo o gestor, as turnês têm grande relevância ao ampliar o alcance do programa e mostrar ao mundo o valor da arte e da cultura baiana.

“Também ajudam a enfrentar o estigma, o preconceito e a discriminação que os jovens negros das comunidades populares do nosso estado enfrentam no cotidiano”, destacou.

“Cada vez que um jovem encanta pela música, damos um passo importante no combate à violência e à discriminação que, todos os dias, insistem em atingir essas famílias e comunidades”, acrescentou.

Para Felipe, o maior valor do projeto é reverter representações negativas sobre os jovens e transformar a forma como as comunidades são vistas, valorizando o trabalho que desenvolvem.

Vale destacar que, a cada turnê, novos jovens são beneficiados, já que a orquestra tem formação rotativa. Muitos viajam pela primeira vez de avião. O Neojiba se renova constantemente, ampliando oportunidades e impactando novas trajetórias.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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