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Publicado em 06/01/2026 às 11h08.

Morre Béla Tarr, cineasta húngaro, aos 70 anos

Diretor referência do cinema contemplativo europeu morreu após longa doença

João Lucas Dantas
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

 

O cineasta húngaro Béla Tarr, diretor de obras como Sátántangó e O Cavalo de Turim, morreu nesta terça-feira (6), aos 70 anos. A informação foi confirmada pela Academia Europeia de Cinema, da qual o diretor era membro, que informou que Tarr morreu “após uma longa e grave doença”.

Em nota, a instituição lamentou a perda: “Lamentamos profundamente a morte de um diretor excepcional e de uma personalidade com forte voz política, muito respeitado por seus colegas e aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e solicita que não sejam feitos pedidos de declarações neste momento difícil”.

Reconhecido como um dos grandes nomes do cinema contemplativo, sombrio e melancólico, Béla Tarr construiu uma filmografia marcada por planos-sequência extensos, fotografia em preto e branco e um rigor formal que o colocou entre os cineastas mais influentes do cinema de arte europeu.

Nascido em Pécs, na Hungria, em 1955, Tarr iniciou a carreira no estúdio experimental Balázs Béla. Após dirigir filmes como Family Nest, Almanac of Fall e Damnation, alcançou projeção internacional em 1994 com Sátántangó, épico de sete horas inspirado no romance homônimo de László Krasznahorkai, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2025.

Apesar da longa duração, o filme é frequentemente citado como uma das obras mais importantes dos anos 1990 e tornou-se referência central do chamado “cinema lento” contemporâneo. Ao retratar o colapso do comunismo no Leste Europeu, Sátántangó consolidou a parceria entre Tarr e Krasznahorkai, retomada em Harmonias de Werckmeister (2000), adaptação do romance A Melancolia da Resistência.

Seu último longa-metragem, O Cavalo de Turim (2011), também escrito em colaboração com Krasznahorkai, é considerado seu trabalho mais sombrio e definitivo. Inspirado na lenda sobre o colapso mental do filósofo Friedrich Nietzsche, o filme acompanha a rotina exaustiva de um homem e sua filha.

Aclamado pela crítica, o longa venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Após o lançamento, Béla Tarr anunciou sua aposentadoria do cinema, mudou-se para Sarajevo e fundou a escola film.factory, dedicada à formação de novos realizadores.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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