Publicado em 02/01/2017 às 12h33.

PercPan: 21ª edição do maior festival percussivo do país acontece este mês

O evento, que desta vez acontece também em Santo Amaro, reúne nomes como Mônica Millet e Coletivo Rumpillezzinho

Redação
Cena da primeira edição do PercPan, em 1994 (Foto: Divulgação).
Cena da primeira edição do PercPan, em 1994 (Foto: Divulgação).

 

O PercPan, maior festival de percussão do Brasil, realizará sua 21ª edição entre os dias 18 e 21 deste mês, entre Salvador e Santo Amaro. O evento, criado pela socióloga Beth Cayres e que já teve curadoria de Arrigo Barnabé, já foi realizado em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Paris. E já recebeu artistas como Marcos Suzano, Fialuna, Uakti, Doudou N’Diaye Rose, Trilok Gurtu, Dona Ivone Lara, Arnaldo Antunes, entre outros.

Este ano as apresentações acontecerão no Teatro Castro Alves e no Terreiro de Jesus (Centro Histórico), além de Santo Amaro, onde ocorrem na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com direito a mesa-redonda e encontros culturais.

Primeira noite
RIME – Ritmo e Melodia, a primeira noite de shows, no dia 19 de janeiro, exalta a delicadeza rítmica, na contramão do universo percussivo grandiloquente, em que as sutilezas sonoras têm destaque. Três grupos internacionais compõem a noite de abertura: o polonês GlassDuo, composto por Anna e Arkadiusz Szafraniec, egressos da Orquestra Sinfônica de Gdansk que abriram mão de suas posições no conjunto para se tornar o primeiro grupo da Polônia a tocar o instrumento de taças de cristal, conhecido como Glass Harp; a cantora, compositora e multi-instrumentista britânica Sona Jobarteh, que descende de uma das cinco mais importantes famílias Griot da Gâmbia, cujos membros são os únicos autorizados a tocar o Kora, harpa africana com 21 cordas; e o sexteto Khusugtun, da Mongólia, conhecido por aliar o uso de instrumentos tradicionais da cultura nômade ao canto Tuvan Throat Singing, que utiliza técnicas vocais praticamente desconhecidas no Ocidente e foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Segunda noite
A segunda noite do PercPan, no dia 20, levará ao palco do Teatro Castro Alves as novas gerações da música brasileira oriundas de projetos sociais. O primeiro deles é o Trio MultiFaces, formado pelos percussionistas David Martins, Aquim Sacramento e Fábio Santos, derivado do Projeto Neojibá, fenômeno da inclusão social graças ao método desenvolvido pelo Maestro Ricardo Castro, que atinge 350 mil crianças em todo o Brasil. O trio é conhecido por misturar a percussão baiana e outras vertentes de matriz brasileira à percussão sinfônica.

Na sequência, o Grupo de Referência de Ourinhos, do interior de São Paulo, reúne a nata da percussão do Projeto Guri, programa do Governo do Estado de São Paulo que atende cerca de 35 mil alunos em vários municípios. Formado por 11 jovens percussionistas, o grupo é dirigido pelo músico e educador Agnaldo Burgo Junior e interpreta peças que transitam entre o universo erudito e popular, explorando a grande diversidade da percussão, com instrumentos como pandeiro, marimbas, vibrafones, xilofones, glockenspiel e congas.

Para encerrar, o Coletivo Rumpilezzinho apresenta um repertório composto por músicas da Orkestra Rumpilezz, sob a regência do maestro Letieres Leite, além de standards do grupo norte-americano Weather Report. Letieres é o autor do projeto Rumpilezzinho – Laboratório Musical de Jovens, dedicado há três anos à promoção e qualificação de jovens músicos de Salvador.

Terreiro de Jesus
Do Teatro Castro Alves, o PercPan segue no dia 21/01 para o Terreiro de Jesus, no centro histórico do Pelourinho, onde fecha a programação musical com um show ao ar livre e gratuito. Intitulada CELEBRE, a terceira e última noite abre com o show Roberto Mendes, seguido por Lucas e a Orquestra dos Prazeres (PE), do grupo Staff Benda Bilili (República Democrática do Congo) e do Bloco Afro Muzenza, que faz uma participação especial no festival.

Caberá ao grupo madrilenho Patax, liderado pelo baterista e percussionista Jorge Pérez, encerrar o 21º PercPan com sua mistura de flamenco, jazz, funk, salsa e world music. Criado em 2008, em pouco tempo o conjunto se destacou no cenário espanhol e mundial, lançando três discos e realizando diversas turnês pelo mundo.

Em todas as três noites, o Mestre de Cerimônias será o cantor, compositor e instrumentista Mateus Aleluia, um dos remanescentes do grupo vocal Os Tincoãs, responsável pelo resgate da ancestralidade musical afro-barroca através de um amplo trabalho de pesquisa que rendeu convites para apresentações em países como Angola, onde Seu Mateus viveu por alguns anos.

Confira a programação completa

20 de janeiro (quarta-feira)
Mesa-redonda: Acessibilidade musical
Horário: 15h às 17h
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB
Rua do Imperador, 9 – Centro, Santo Amaro
Mediadora: Profª Cátia Cucchi
Convidados: Staff Benda Bilili (RD Congo); Mônica Millet (Bahia); Grupo de Percussão do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual.

Encontros Culturais
18 de Janeiro, das 14h as 16h: Sona Jobarteh ( Gâmbia/UK)
20 de Janeiro, das 10h as 12h: Khusugtun (Mongolia)
21 de Janeiro, das 10h as 12h: Glass Duo (Polônia)

Programação musical:

19 de janeiro (quinta-feira)
RIME – Ritmo e Melodia
Horário: a partir das 20h
Onde: Teatro Castro Alves

20 de janeiro (sexta-feira)
INCLUA
Horário: a partir das 20h
Onde: Teatro Castro Alves
Ingressos: R$ 40,00 / R$ 20,00 (meia entrada)

21 de janeiro (sábado)
CELEBRE
Horário: a partir das 20h
Onde: Largo Terreiro de Jesus – Centro Histórico

Temas: festival , música , percpan , TCA